Quarta-feira, 21 de Abril de 2021

O Divino Perdão

Por Lourenço Braga, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas


03/04/2021 às 08:09

Entregue à maldade extrema de homens que o queriam crucificado, surrado em via pública e submetido a escárnio jamais visto, sangrando e sofrendo dores físicas inimagináveis, todas suportadas pela fé inabalável no Deus que para aqui o enviara com a missão de proclamar a verdade, ensinando a bondade e  a justiça, pregado em cruz entre dois malfeitores, Jesus, reunindo o pouco de forças que ainda lhe restavam de sua condição humana, pediu, em prece: “Pai, perdoai-os, porque eles não sabem o que fazem”. Nenhum outro exemplo de amor a tanto se assemelha e é o que se deve lembrar, ao que penso, no dia que os cristãos guardam como o da morte do Redentor da humanidade, a sexta feira santa, da paixão de Cristo.

Foi por nós todo o calvário, da coroa de espinhos ao vinagre na ponta da lança, para que se cumprisse o Plano da Salvação. O que aqui plantou não foi a prepotência, a vaidade, o orgulho, o ódio, a ira, o desprezo com que muitos, alguns até investidos de poder conferido por votos ou por dinheiro, mesmo o obtido de forma nem sempre perfeitamente explicável, tratam semelhantes seus, chegando a impor-lhes o peso de um joelho sufocante ou de socos e chutes que tiram a vida de negros, por não serem brancos, que violentam física e sexualmente mulheres na solidão de suas próprias casas, que deixam de injetar o líquido de uma vacina da esperança em meio a uma pandemia assustadora e crudelíssima, que surram e até matam os que não seguem as orientações tradicionais de escolhas sexuais. A concórdia, o respeito, a compreensão, o perdão, infelizmente continuam a não ser seguidos por muitos como síntese da mensagem que Ele deixou e que lhe custou a própria vida, como, aliás, estava escrito.

A Ele, o imolado, o sacrificado, o santo, minha quase poesia, que peço permissão para reproduzir:

JESUS CRISTO

Ao chegar já eras luz

o mundo nem te sabia

e te chamavas Jesus

filho de José, de Maria.

Os reis que te visitaram

até levaram presente

silentes estranharam

o contraste da humildade

e por força de luz forte

de estrela reluzente

que lhes mostrou o norte

protegeram sem saber,

para toda a Humanidade,

a vida do Cristo da gente.

Chegaste semeador

com a missão de pregar

aqui plantaste o amor

que tu vieste ensinar,

ao ódio disseste não

mostraste o dom do perdão.

Foste rei desde criança

distribuíste a bondade

mensageiro da esperança

missionário da caridade

às gentes sempre disseste

o bem que a todos fizeste

foi porque assim ordenou

o Deus que te enviou.

Agiste falando em Seu nome

superior e sagrado,

aqui só eras o homem

mesmo filho consagrado

por amor forte e profundo

do onisciente do mundo.

Sabias que te esperava

dos homens muita maldade

que crença não se mudava

com tanta facilidade

mesmo assim não desististe

e tudo quanto pregaste,

aquilo que construíste

salvaria a Humanidade.

Sofreste a coroa de espinhos

nos ombros o peso da cruz

eram esses os caminhos,

tortuosos e sem luz,

que precisavas percorrer

pra que todos a quem salvaste

com a dor que suportaste

jamais viessem a morrer.

Nem no gólgota demonstraste

qualquer arrependimento,

choraste a dor do momento,

humano que eras também, 

entregando teu espírito

ao Pai disseste amém.

Em três dias retornaste

desta vez para ficar,

de novo ensinando a amar,

perpétuo, forte, radioso

espargindo paz e luz,

Filho de Deus, majestoso,

Glorioso Jesus.


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