Domingo, 21 de Julho de 2019

Parintins: lembranças, sentimentos e puro amor

Por Erick Campos, jornalista da TV A CRÍTICA


28/06/2019 às 16:06

Minha história com Parintins começou como a de um parintinense, desde criança. Apesar de eu não ter nascido nessa cidade, em Parintins eu me sinto como se estivesse em casa. Tudo começou lá em 1996, eu tinha 5 anos, quando um familiar comprou o CD dos dois bois. No encarte do Garantido, tinha uma foto dele, ao fundo, com uma anca enorme, todo branco. Parecia um boi real. Foi paixão à primeira vista. Sim, sou Garantido. Desde então, virei um “louco torcedor”.

Anos mais tarde, ganhei o livro “Vermelho, um pessoal Garantido”, escrito por Andreas Valentin. Li e reli esse livro inúmeras vezes, imaginava cada situação citada ali, os lugares de Parintins visitados por ele, as pessoas que ele conheceu, imaginava a cidade em si. Nos fins de semana, sempre que dava, pedia para uma prima ou uma tia me levar ao Curral do Garantido, que acontecia às sextas, no sambódromo. Lembro do primeiro ensaio do Garantido que eu fui, em 2000, com 9 anos. Era a noite do levantador (à época, David Assayag). O curral lotado, uma cortina vermelha no palco para a entrada do David e eu numa explosão de felicidade em estar no evento do meu boi pela primeira vez.

Foi nesse mesmo ano, 2000, que eu ganhei meu primeiro boizinho do Garantido. Eu estava brincando no pátio da minha casa quando eu ouvi um barulho do portão. Era minha tia com um boi bem pequeno na mão. Lembro exatamente a alegria que senti em ter ganhado aquele boizinho. Eu cuidava dele com todo cuidado do mundo. Que saudades desses momentos com ele! Hoje tenho vários bois na minha casa. Sempre que vou a Parintins, procuro trazer um boizinho. É como se fosse uma forma de representar a viagem.

Mas, por falar em ir a Parintins, demorou muito pra eu, finalmente, conhecer a ilha. Um sonho da minha vida que só se realizou em 2009, quando eu tinha 18 anos, 13 anos depois de eu me apaixonar pelo Garantido, pelo festival. E não achem que eu que não queria. Todo ano eu tinha esperança em conseguir ir para o festival. Mas, nunca dava. Até que, em 25 de junho daquele ano, minha mãe saiu cedo para ir ao Centro e, quando voltou pra casa, já foi com duas passagens de barco para Parintins, mandando eu me arrumar porque o barco iria sair no fim da tarde. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo.

Fiquei nervoso, feliz, ansioso. Foi um misto de sensações. Afinal, eu iria para o lugar que eu mais queria conhecer, a cidade do meu boi! A viagem foi inesquecível. 18 horas depois, navegando sob o rio Amazonas, ainda desacredito que eu estava indo pra Parintins, cheguei a ilha encantada. Nesse altura, já era sexta-feira, dia 26 de junho, primeira dia de festival. Era por volta do meio dia. Saímos do barco e fomos para a casa onde ficamos hospedados. E, para a minha maior alegria ainda, a casa era do mestre Jair Mendes, um dos personagens que eu tanto li no livro que eu ganhei ainda criança. O cara tava ali, na minha frente, o homem que criou os movimentos do Garantido e tudo mais na história do meu boi. Mas, ele estava um pouco diferente do livro. Ele estava de azul.

Eu sabia disso, sabia que ele havia ido para o contrário, porém vê-lo pessoalmente de azul foi estranho. Mas, nada que tirasse minha alegria em estar na casa dele. Inclusive, que família incrível ele tem. Um lar cheio de amor e criatividade! Por falar em amor, dona Ana Mendes, esposa do seu Jair, estará para sempre no meu coração e no de minha mãe por ter sido tão hospitaleira em nós receber em sua casa. Hoje ela brinca no céu azul, bem Caprichoso, o boi do seu coração. 

Então, foi chegada a hora de ir pra fila do Bumbódromo. Já eram quase 2 da tarde. Fui um dos últimos da fila. No momento que liberaram os portões, eu fui caminhando normalmente (geralmente todo mundo corre pra buscar o melhor lugar) para apreciar cada detalhe, eu ainda não estava acreditando. Quando eu entrei pela arquibancada geral do Garantido e vi que sim, eu estava na arena de sonhos, no Bumbódromo para assistir meu boi. Que felicidade! Minha mãe realizou esse meu sonho. 

Depois disso, fui todos os anos para Parintins. Em 2019, faz 10 anos que vivo dias de muitas alegrias e momentos inesquecíveis na ilha da magia. Hoje, na verdade, desde 2013, é um pouco mais diferente. Trabalho na emissora de TV oficial do festival de Parintins, o que me proporcionou viver o mundo de Caprichoso e Garantido além dos olhos de um torcedor. Aliás, hoje respeito e admiro muito o Caprichoso. Aquela resposta clichê “eu sou o festival de Parintins” é muito real. Meu boi do coração é o Garantido, mas o Caprichoso também já faz parte de mim.

Amo essa festa, amo essa cultura. As pessoas que trabalham para construir o boi fazem isso de uma forma tão profissional, tão bem pensada e com tanta dedicação que me faz querer lutar por essa festa. Uso o meu trabalho para tentar fazer o melhor para esses bois, para o festival, para Parintins. Acredito que seja um dever de todos nós, amazonenses, lutar, se orgulhar e amar o festival. É único, é diferenciado. É muito mais que um fim de semana de festa. É amor e paixão. Eu amo o festival!


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