Quinta-feira, 24 de Junho de 2021

Paulinho Faria, o apresentador que inspirou minha geração

Por Carlos Alexandre - Jornalista e diretor de Comunicação do Boi Caprichoso


23/02/2021 às 20:44

O ano era 1993. Na casa de terra de chão batido, uma rede e um rádio ligado no programa do Boi Garantido. No chão, um menino de oito anos de idade, sentado ao lado do aparelho, acompanhado de sua avó (de saudosa memória), apaixonada pelo locutor que provocava sentimentos opostos: os divertia e os deixava irritados, e mesmo assim, não perdiam um só dia de programa. No rádio, a voz marcante, alegre e inconfundível era de Paulinho Faria. 

O menino que o ouvia também se inspirava, o imitava e iniciava ali sua paixão pelo rádio, paixão pelo boi-bumbá, paixão em apresentar. Filho de família apaixonada pelo Garantido, cresceu acompanhando, ouvindo e se inspirando nos feitos de Paulinho Faria. 

Naqueles anos, as fitas cassetes em época de festival eram tocadas no volume máximo na voz encarnada do empresário, radialista, cantor e apresentador que inspirou outros tantos meninos de Caprichoso e Garantido, a buscarem o sonho de serem locutores ou apresentadores do boi da estrela ou do coração no Festival de Parintins.

Uma época em que a palavra marqueteiro era desconhecida ou pouco usada, o Garotinho de Ouro do Festival já sabia fazer, e muito bem, a máxima de que uma palavra repetida inúmeras vezes se tornava realidade e deixava um legado que se tornou a identidade do Boi-Bumbá Garantido. Foi ele - sim, foi ele - quem batizou o Garantido de “Boi do Povão” e, para irritar a galera contrária, insistia com o “boi da elite”, e o resto a galera já sabe: a contagem que abria as apresentações vermelhas, o lê-lê-lê e o “mas quem é Garantido levanta o braço?”.

Além do rádio, ele usava um carro de propaganda volante da loja “A Jotapê”, empresa da família dele, para instigar a rivalidade e provocar os torcedores azuis. Um outro radialista, José Maria Pinheiro, o Foguete da Verdade, também num carro de propaganda, respondia as provocações do ex-apresentador do Garantido. 

Paulinho merece todas as homenagens possíveis, pois, numa época de Festival sem dinheiro, ele fazia por amor e “A Jotapê” era a fonte de onde tiravam dinheiro para patrocinar o bumbá da baixa do São José, contratar artistas e até promover eventos para levar seu boi para arena do Bumbódromo. São tantas histórias que seriam muitas linhas para contar. A contribuição cultural e o legado são enormes.

Ah, e lembra do menino que ouvia os programas, que o imitava e se inspirava em Paulo Faria? Ele cresceu, virou radialista, jornalista e apresentador dos programas do Boi Caprichoso. Ele sou eu! Com Paulinho, aprendi a gostar do que faço e com Arlindo Júnior aprendi a amar o boi Caprichoso. Nos céus, essas estrelas brilham e promovem uma grande roda de toada com direito a contagem para chamar a Batucada e grito de "oooooiiii" para iniciar a Marujada... o encontro das duas maiores referências do Festival de Parintins e da minha vida!

 


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