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Pelo Esporte e contra a MP 841/2018

Por Manoel Almeida – Secretário de Juventude, Esporte e Lazer do Estado do Amazonas. 19/06/2018 às 09:11 - Atualizado em 19/06/2018 às 09:14
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Crianças comemoram gol na 1º edição da Olimpíada da Floresta, realizada em 2017

No início da semana passada, recebemos a notícia da Medida Provisória 841, assinada pelo Presidente da República, propondo a criação do Fundo Nacional de Segurança Pública, com o objetivo de reunificar o sistema de segurança pública no País. É necessário e louvável! Até aí, tudo bem. O ruim disso é que haverá a transferência de recursos das loterias federais para a pasta de segurança pública, o que afeta demais os Ministérios do Esporte e Cultura. Aqui no nosso Amazonas, o impacto será muito negativo, uma vez que deixaremos de receber recursos federais para investirmos mais em nossos atletas, que estão obtendo resultados importantes em competições nacionais e internacionais. Sem contar que haverá considerável redução da possibilidade de firmar convênios e parcerias para novos projetos junto aos Estados, municípios e entidades do esporte significativas. 

O esporte é muito mais que prática da atividade. Trata-se da maior política pública de enfrentamento à violência, à ociosidade da infância e juventude. É por meio dele que conseguimos retirar centenas de jovens do contato direto com a criminalidade, onde se inclui o tráfico, roubo, a violência letal e tantas outras situações às quais nossas crianças e jovens estão expostos. O esporte já foi capaz de unir nações em guerra, e apoiar esta MP é ir na contramão da receita que todos os países evoluídos seguiram ao longo da história. 

Andando pelo interior do Amazonas e no dia-a-dia como secretário da Sejel, tenho tido inúmeros exemplos da superação dos jovens amazonenses por meio do esporte. Vibro ao perceber que a juventude tem ultrapassado barreiras, e percebo que podemos fazer muito mais. Não cabe reduzir os recursos para este setor, é preciso ampliar! Exemplo próximo da nossa realidade é da atleta de tiro com arco Graziela Santos, uma indígena que veio de uma comunidade próxima a Novo Airão e que mora na Vila Olímpica de Manaus. Aqui ela se prepara, estuda e compete. Com nosso apoio, ela foi à Bolívia e trouxe duas medalhas de ouro para o Brasil. Como ela, temos milhares que precisam de semelhante oportunidade. 

Atualmente, estamos realizando os Jogos Escolares do Amazonas, o Jea’s, uma competição entre escolas que movimenta todo o Estado. Cidades mais longínquas se mobilizam para participar da abertura dos jogos, das competições fora de seus municípios. Isso oportuniza o conhecimento de novas culturas, tradições e costumes. É bem mais do que competir, o Jeas é promoção social, é educação cidadã chegando a todos por meio do esporte como estratégia. 

Apoiar uma MP que retira de um segmento importante para inserir noutro é tirar o sonho de tantas crianças, é arrancar as medalhas da arqueira que largou tudo da sua aldeia indígena para ter uma projeção internacional. É deixar de cuidar do pobre garoto vulnerável que pode ser assediado pelo tráfico em nossas periferias, para mais tarde ter de enfrentá-lo como um marginal, produto da não atenção em políticas de prevenção. Não concordamos com esta medida e vamos lutar junto aos milhares de atletas brasileiros para que não sejam prejudicados. Peço a você, cidadão, que pensa como a gente, para que convide o seu deputado federal e seu senador a esta reflexão. A bancada amazonense precisa se posicionar e apontar formas de promover a segurança pública sem penalizar o esporte e a cultura, e convido você também a se manifestar sobre a MP 841/2018.