Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Por que tudo custa mais caro no Brasil?

Por Fábio Calderaro


05/03/2018 às 19:16

É inevitável não nos sentirmos indignados ao ver os mesmos produtos que compramos aqui no Brasil por metade do preço ou até menos em outros países. Mas por que no Brasil tudo é tão caro? Razões não faltam. Muitos acreditam que o único motivo são os impostos. No entanto, outros vários fatores de igual ou maior importância fazem com que paguemos mais caro pelo que consumimos.

Tudo começa com nossa infraestrutura precária. Energia aqui custa caro e ainda não chegou a todos os lugares.

O transporte é um caso à parte. O governo, que praticamente detém o monopólio do setor de infraestrutura logística, concentrou ao longo da história a maior parte dos seus investimentos no modal rodoviário. Trata-se de contrassenso um país de dimensões continentais ter mais de 60% do transporte dependente deste modal tão caro e instável.

O frete encarece não só por conta da manutenção dos caminhões, que sofrem com a precariedade das estradas, mas principalmente pelo alto custo dos combustíveis. Monopólio estatal, a Petrobras pratica o maior preço possível, já que sua demanda não pode recorrer à concorrência. Da mesma forma, os Correios contribuem para o encarecimento do frete. Também monopólio estatal, prestam um serviço de alto custo e péssima qualidade.

A incidência de impostos sobre todas as etapas da cadeia produtiva é outro elemento responsável pelo encarecimento de bens de consumo. O setor secundário é tributado ao comprar do setor primário. O terciário é tributado ao comprar do setor secundário. E o cliente é ainda tributado ao comprar do setor terciário. Então, quando você compra um suco, está pagando mais caro por ele porque a indústria foi tributada ao comprar a fruta, a caixinha e todos os bens intermediários; porque o varejo foi tributado ao comprar a caixa de suco (produto acabado) da indústria; e porque você foi tributado ao comprá-lo do varejo. O Brasil tem a 14ª mais alta carga tributária do mundo (36,2% do PIB) e um sistema complexo e engessado.

A burocracia também encarece nossos produtos. Tantas etapas e custos para legalização e adequação das empresas às diretrizes de agências reguladoras impactam nos preços do que consumimos. A insegurança jurídica brasileira faz com que as empresas estrangeiras, que aqui chegam, queiram auferir lucros o mais rápido possível, dada a incerteza das condições futuras de mercado. E é claro que o custo da insegurança é repassado para os preços de seus produtos.

Outra variável importante é nossa baixa produtividade. O protecionismo brasileiro e as demais intervenções que impedem o funcionamento natural do mercado impossibilitam o aperfeiçoamento da mão de obra, incentivam a concentração de empresas e aumentam a ineficiência interna. Todos estes fatores elevam o preço dos nossos produtos. Só será possível reverter este quadro quando aderirmos a uma economia de livre mercado.

Além de todos os fatores citados, as margens de lucro das empresas são também maiores no Brasil. E por que aceitamos pagar mais? Porque, além da distribuição de renda não ser das melhores, a sociedade brasileira tem necessidade de autoafirmação. E grande concentração de renda gera valorização de status em bens. A necessidade de destaque social é a origem da compulsão por adquirir produtos de marca, ainda que se tenha que pagar um alto valor por eles.

Para reduzir preços e margens, o governo precisa reduzir e simplificar impostos, eliminar a burocracia, melhorar a segurança jurídica, evitar o protecionismo, estimular a competição e incentivar investimentos. Os benefícios serão não só para do País, mas para nós consumidores. Ou continuaremos a encomendar o gadget que tanto queremos para aquele amigo que vai de férias para Miami.


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