Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Hipnose pode ajudar a combater transtornos psicológicos

Ansiedade generalizada, depressão, obesidade e até dependência química podem ser sanados com o uso da técnica


06/08/2018 às 16:19

Talvez a mais complexa ferramenta humana, o cérebro intriga pesquisadores há milhares de anos. Algumas disfunções no seu funcionamento seguem sem respostas concretas e a busca por tratamentos eficazes ainda é um grande desafio. No que se refere a transtornos psicológicos, uma técnica milenar desponta como grande aliada no tratamento de problemas como ansiedade, depressão, traumas e até vícios: A hipnose.

Ainda que enfrente uma certa resistência de uma parcela da classe científica, estudos já comprovaram que o método tem poder de auxiliar no reequilíbrio do cérebro. A prática inclusive é reconhecida pelos conselhos federais de psicologia, medicina, odontologia e fisioterapia no Brasil, permitindo com que os profissionais dessas quatro áreas possam usar legalmente a hipnose como prática integrativa de saúde, ou seja, auxiliando tratamentos.

Esqueça tudo o que Hollywood já mostrou para você sobre o assunto. Não se trata de fazer alguém ser comandado contra sua vontade, muito menos algo que envolva poderes sobrenaturais. Dentro do consultório o cenário é de tranquilidade, de indução a um transe leve no qual o paciente consegue liberar substâncias dentro do próprio corpo que agem em cima da necessidade, acelerando resultados positivos.

“A hipnose é um estado neuro-fisiológico em que o paciente vai sentindo as sensações, um relaxamento. Tem quem chegue até a um estado de anestesia. Por ser uma técnica de atenção concentrada, ele fica focado na voz do profissional e com isso há uma diminuição na frequência cerebral do paciente”, explica a psicóloga e hipnóloga Miriam Farias, que há 18 anos utiliza técnicas de hipnose no tratamento de seus pacientes.

A profissional revela que as aplicações mais comuns da hipnose dentro do consultório são em pessoas que buscam tratar algum Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), ansiedade generalizada, e depressão. Casos como estresse crônico, estresse pós-traumático, transtornos alimentares, bulimia, anorexia, obesidade e até dependência química podem ser sanados com a hipnose. “Ela também pode ser usada para aliviar dores de pacientes terminaiscom câncer”, diz Miriam.

Cérebro 

O grande segredo por trás da eficácia da hipnose é a forma com que ela regula as atividades cerebrais. Segundo a psicóloga, quando o paciente está em um estado de estresse, uma parte do sistema nervoso, chamada de simpático, fica ativado, liberando adrenalina e cortisol, causando sensações ruins, sudorese, tremores e medo em caso de pacientes com síndrome do pânico. A hipnose tem a capacidade de ativar uma outra parte do sistema nervoso, esta chamada de parassimpático, liberando endorfina, serotonina e outras substâncias de prazer e reequilibrando as emoções. 

Sessões

Por se tratar de uma técnica personalizada, não há um padrão especifico que deva ser seguido. “Não pode aplicar algo aleatoriamente que não funciona”, destaca Miriam. Isso faz com que cada sessão seja diferente de acordo com a necessidade do paciente. 

“A gente começa perguntando no que pode ajudar. Em um caso de crise de pânico, por exemplo, colocamos o paciente em transe, que é um estado de relaxamento que pode ser alcançado de várias formas e vamos fazendo induções para que ele se tranquilize. Quando há um tratamento o sintoma não volta, há uma ressignificação naquela sensação que causava aquele sentimento”, explica a hipnóloga.

A razão do sucesso

A popularidade da hipnose segue crescendo entre pessoas que buscam alternativas não-convencionais para tratar seus transtornos e para Miriam, a culpa é da rápida eficácia.

“As pessoas querem tudo muito rápido e os médicos mais tradicionais vão logo para medicação, então como a hipnose, em relação as terapias convencionais, é uma terapia breve e focal, os pacientes tem buscado esse tipo de tratamento”, finaliza Miriam.


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