Domingo, 13 de Junho de 2021

A trajetória do maestro carioca Henrique Alves de Mesquita


25/05/2021 às 14:11

Por Abner Viana*

Henrique Alves de Mesquita nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 15 de março de 1830, e, faleceu no dia 12 de julho de 1906, na mesma cidade. Foi compositor, maestro, músico (organista e trompetista). É o patrono da cadeira de número 16 da Academia Brasileira de Música.

É historicamente reconhecido como o criador da expressão "tango brasileiro", usando o nome de tango para designar um tipo de música de teatro ligeiro, conhecida entre os franceses e espanhóis como “habanera”. Assim, também, denominou muitas de suas peças com a tal expressão.

Iniciou os estudos musicais com Desidério Dorison. Em 1848 ingressou no Liceu Musical, na classe de Gioacchino Giannini. Prosseguiu os estudos com o mesmo professor no Conservatório de Música, onde se diplomou em 1856. Foi o primeiro aluno a receber o prêmio de Viagem à Europa. Seguiu para a França em 1857, matriculando-se na classe de harmonia de François-Emmanuel-Joseph Bazin no Conservatório de Paris.

Em Paris, apresentou sua primeira ópera, “Une nuit au chateau”, e bem como, fez sucesso com a série de quadrilhas chamadas de Soirée brésilienne. Ainda compôs e remeteu para o Brasil uma Missa, executada em 26 de agosto de 1860, na Igreja da Santa Cruz dos Militares, regida por Francisco Manoel da Silva, e a abertura sinfônica L’Étoile du Brésil, executada no Conservatório de Música em 1861.

Sua ópera “O Vagabundo” foi representada a 24 de outubro de 1863 no Teatro Lírico Fluminense. Quando voltou para o Brasil (no Rio de Janeiro), integrou como trompetista a orquestra do Alcazar Lírico. A partir de 1869 passou a atuar como regente da orquestra do Teatro Fênix Dramática. Foi considerado o compositor que estabeleceu o tango brasileiro, devido a sua composição intitulada “Olhos matadores, no ano de 1871. Em 1872, assumiu o cargo de organista da Igreja de São Pedro. No mesmo ano, tornou-se professor do Conservatório de Música, inicialmente nas disciplinas de teoria e solfejo e, a partir de 1890, de instrumentos de metal.

Ele permaneceu como professor após o Conservatório se transformar em Instituto Nacional de Música, pelo qual se aposentou em 1904. Entre seus alunos ilustres estão simplesmente, Joaquim Antônio da Silva Callado e Anacleto de Medeiros, dois grandes ícones do Choro brasileiro. Foi um ícone muito importante e seguido por vários outros músicos de sua época.

A própria Chiquinha Gonzaga dedicou seu tango característico “Só no Choro” (1889) ao compositor, e, Ernesto Nazareth escreveu em sua homenagem o tango Mesquitinha. Como compositor fez muito sucesso com operetas e mágicas como “Trunfo às avessas” (1871), “Ali Babá” (1872) e “A Coroa de Carlos Magno” (1873). Escreveu ainda muitas modinhas, diversas canções, lundus e uma série de outras obras, especialmente para piano.

Série de Quadrilhas

A quadrilha também é conhecida como: quadrilha junina, quadrilha caipira e/ou quadrilha matuta - é um estilo de dança folclórica coletiva e muito popular no Brasil. Essa dança de teor caipira é típica das festas juninas, que geralmente acontecem nos meses de junho/julho em todas as regiões do País.

Por ser uma dança de origem interiorana, sua linguagem se aproxima da coloquial e dos meios sertanejos e nordestinos), não à toa por serem danças bem conhecidas no período inicial da dita música genuinamente instrumental, o que futuramente viria ser o Choro.

O compositor as nomeou de Soirée Brésilienne (de Nº1 a Nº5, com andamentos variados), que, traduzindo do francês para o português, possui o significado de “Entardecer Brasileiro” (relativo ao início da noite, no entanto, também é comumente traduzida como “Noites Brasileiras”).

Origem da quadrilha

A quadrilha teve origem na Inglaterra, no século XIII. Posteriormente, ela foi incorporada e adaptada à cultura francesa e se desenvolvendo nas danças de salão a partir do século XVIII. Assim, a quadrilha se tornou popular entre os membros da nobreza europeia. Com sua disseminação na Europa, a quadrilha chegou a Portugal. A partir do século XIX, a dança se popularizou no Brasil mediante influência da corte portuguesa, sendo muito bem recebida pela nobreza no Rio de Janeiro.

Perfil

* Abner Viana

Natural de Manaus (AM), é músico (saxofonista/ clarinetista) e pesquisador. Possui Mestrado em Música pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Já trabalhou com diversos artistas nacionais e internacionais tanto no Brasil, Europa, bem como na América do Sul.

 


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