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Anavitória abusa de romances para remontar trajetória em filme

Marcando a estréia das cantoras na dramaturgia, longa "Ana e Vitória" usa relacionamentos amorosos para contar como dupla se conheceu e alçou ao sucesso em menos de quatro anos 31/07/2018 às 14:54 - Atualizado em 31/07/2018 às 14:59
Show 1 ana e vitoria
Filme chega as telas de cinema em todo país nesta quinta-feira (2) (Foto: Divulgação)

Por juan Gabriel

Basta alguns minutos sintonizado em qualquer emissora de rádio no país para descobrir quem é Anavitória. A dupla – sim, tratam-se duas pessoas para a surpresa de alguns – desponta desde 2015, ano em que lançaram seu primeiro EP, como um dos principais nomes no cenário musical brasileiro. Com seu MPB moderno, arrebataram fãs, conquistaram um nada modesto disco de platina e até um Grammy latino para chamar de seu. Agora, enxergam na sétima arte a melhor forma de contar para o mundo como tudo isso aconteceu em apenas quatro anos.

Chega aos cinemas no próximo dia 2, o filme “Ana e Vitória”, marcado pela estreia do duo na dramaturgia. O registro com um ar biográfico empresta os tantos casos de amor vividos pelas duas meninas de Araguaína, no interior do Tocantins, para conduzir o espectador por um passeio que vai do dia em que ambas se conheceram em uma festa no Rio de Janeiro, até a euforia do primeiro show, passando por alguns corações partidos. Tudo visto sob o olhar das artistas que não hesitam em revelar episódios até então pouco conhecidos até mesmo pelos mais apaixonados fãs.

A obra é baseada em uma ideia original de Felipe Simas, empresário da dupla que nas telonas é interpretado por Bruno Gomlevsky, e conta com direção de Matheus Souza. O grande destaque no elenco ao lado das cantoras fica por conta dos atores Victor Lamoglia e Thati Lopes. Donos de personagens caricatos (ele interpreta Ricardo, um playboy louco para conquistar Vitória e ela dá vida a Iza, a ansiosa assistente de produção da dupla), são eles os responsáveis pela carga cômica no filme que também conta com os atores Bryan Ruffo, Clarissa Muller e Caíque Nogueira. 

Performance

Desde que o trailer do longa foi divulgado na internet, muito se contestou quanto a atuação de Ana Caetano e Vitória Falcão. Ao contrário da maioria dos filmes baseados em histórias reais, elas optaram por descartar artistas que pudessem interpretá-las no cinema e resolveram arriscar. Deu certo. Ou quase. 

Como que em uma crescente tomada de ritmo, o longa começa com as cantoras engessadas, aparentemente não tão a vontade e sem desenvoltura pra desenrolar o roteiro de uma maneira que não parecesse algo decorado. Conforme a história vai se desenvolvendo, elas deixam de lado o lado “personagem” para serem mais elas próprias, fluindo com mais naturalidade a ponto de convencer, mas não impressionar.

Trilha sonora

Talvez a principal protagonista do longa, a trilha sonora assinada pelo músico Tiago Iorc em parceria com o produtor musical Rafael Lagoni Smith reinventa a sonoridade de Anavitória sem tirar a essência do duo, tudo isso ao mesmo tempo em que envolve o espectador de maneira emocionante, construindo clímax e tudo o que se pode sentir ao assistir. O violão fica de lado e o que se escuta é um instrumental que usa da ambiência de sintetizadores como pano de fundo para a voz das meninas, que aproveitam para apresentar novas composições.

Tudo dialoga entre si. O filme carrega um aspecto de musical com cenas em que uma simples pergunta é respondida com uma canção. Aqui o ponto é positivo. Transborda a objetividade das letras e impressiona como elas se amarram muito bem ao roteiro. A surpresa fica pelo talento da atriz Clarissa Muller, que interpreta Cecília, musa inspiradora de Ana e que por vezes nos faz pensar em como daria certo se a dupla virasse um trio.

“Ana e Vitória” soube dizer a que veio. Não há dúvidas que o roteiro soube explorar com naturalidade da amizade a sexualidade, resta saber quantos corações partidos mais vão ser necessários para vê-las continuar essa história.