Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

As modelos amazônidas estão com tudo no São Paulo Fashion Week 2016


28/04/2016 às 10:50

Laynna Feitoza

A Região Norte nunca esteve tão bem representada sob os holofotes da moda paulista. De um lado, temos uma paraense do município de Alenquer, com o rosto amendoado, uma bela e vasta cabeleira cacheada e ruiva. De outro, uma modelo manauara e transexual, com traços barés e uma voz que brada a sua luta a todo instante. Sim, estamos falando de diversidade. E principalmente da diversidade de pessoas que temos aqui, na Amazônia.

Ambas são estreantes em um dos mais proeminentes eventos de moda do País, o São Paulo Fashion Week. E as duas têm dado muito o que falar por lá. Gabriella Nunes, a paraense, morou em Manaus um certo tempo. Uma matéria do portal FFW noticia que ela viajou dois dias e uma noite de Alenquer até Manaus, de onde embarcou para a terra da garoa. A modelo tem 1,78 cm e foi descoberta na capital amazonense pela agência Backstage Model, quando trabalhava numa fábrica de carregadores de celular.

A ruiva desfilou pela marca Juliana Jabour, e soma gente impressionada com a sua beleza e semelhança com a princesa Merida, do filme “Valente”, da Disney – o sucesso com as crianças deve ser inevitável. Ela contou mais detalhes sobre a viagem na entrevista que deu para o site da FFW. “É o mais desgastante, pois o barco navega contra a correnteza, o que deixa a viagem mais lenta”, garantiu a menina de 20 anos, que, mesmo com a moda, sonha em ser arquiteta ou engenheira civil.

Ativismo

A poderosa modelo transexual Camila Ribeiro, 23, nasceu e cresceu em Manaus. Sua família ainda mora na cidade, motivo este que a faz voltar sempre para visitá-los. Em entrevista ao BEM VIVER no ano passado, ela garantiu que começou a fazer moda para desenhar, e que se tornou modelo por conta do incentivo dos amigos, que sempre a apoiaram na causa. Na cara e na coragem, ela procurou a agência Joy Model e está no casting da empresa até hoje.

Ela, que já trabalhou para a grife Givenchy, em Paris; desfilou pela coleção de Ronaldo Fraga no SPFW e declarou, em entrevista ao site Ego, que nem a capital francesa tomou tanto do seu nervosismo quanto São Paulo. “Eu fiquei surpresa de me convidarem. Acho que a minha beleza é das minorias. Estamos vivendo um momento de catarse e acho que a mudança vai vir depois. A mulher negra e a transexualidade ainda sofrem. São poucos trabalhos. Lá fora, somos mais aceitas, e o mercado é bem menos preconceituoso”, declarou a morena na entrevista.

O que nos cabe fazer é, certamente, dar apoio às filhas dessa terra. Suas histórias certamente inspirarão outras meninas que compartilham do mesmo sonho de estar nas passarelas. A luta de cada uma, por sua vez, empaca as nódoas impostas pelos padrões, que tentam conduzir mulheres a um único estereótipo. Que Gabriella possa construir casas e cada vez mais, construir o seu caminho –  e que continue “valente”, assim como o nome do filme que guarda a princesa que é a sua cara. Que Camila possa trabalhar em mil e uma grifes e, desfilar cada vez mais na cara do preconceito. Porque elas são daqui. E elas são mais que prata. Elas são ouro da casa.

Confira as matérias que fizemos ano passado com Camila e Gabriella aqui e aqui.


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