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Automedicação vale a pena?

Pesquisa aponta que mais da metade dos brasileiros utilizam remédios sem prescrição médica; saiba os riscos da prática 17/09/2018 às 18:44
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Segundo a Sanofi, empresa do ramo farmacêutico, a cada 1 segundo são consumidos cerca de 55 comprimidos de Dorflex, medicação autoprescritiva (Foto: Sanofi/Divulgação)

Por Juan Gabriel

Basta algum incômodo surgir em qualquer parte do organismo que o estudante de Direito Cauê Porto (22) não hesita em procurar um remédio que solucione seu problema. “Costumo me medicar sozinho principalmente quando eu me sinto mal e os sintomas são de doenças que eu já tive antes como gripe, crise alérgica ou gastrite”, revela o jovem, que inclui na lista de medicamentos que toma com frequência analgésicos e antialérgicos. “É muito difícil, mas já tomei antibióticos também”, completa ele.

Cauê não é o único a cultivar o hábito. Segundo um estudo realizado pelo  Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), cerca de 72% da população costuma tomar medicações sem qualquer tipo de prescrição médica. O estudo apontou que os principais motivos que levam os brasileiros à prática é evitar ir ao pronto-socorro devido à superlotação ou por não achar a opinião do médico importante para sintomas de saúde. 

“Me automedico porque geralmente são sintomas de doenças que eu já tive. Quando é um sintoma diferente ou mais forte aí sim vou ao médico. Isso sempre resolveu e nunca tive um efeito colateral”, revela o estudante de Direito.

Embora pareça a melhor solução de imediato, a prática da automedicação pode trazer alguns riscos. De acordo com o médico Carlos Villagomez, existem dois tipos de automedicação: a para doenças crônicas ou agudas, como infecções, hipertensão e diabetes, e a para sintomas, casos mais comuns entre os brasileiros.

“Em casos de doenças crônicas ou agudas, é comum pessoas se automedicarem acreditando que se o remédio dá certo para uma pessoa, pode dar certo para ela também e isso é muito perigoso”, explica o médico que alerta também para o uso de antibióticos. “Nem todo antibiótico pode ser eficaz contra aquela bactéria que está ali naquela situação, além disso, existe o risco do remédio perder sua eficácia”, completa. 

Em relação à automedicação de sintomas, o parecer é mais brando. Nesses casos encaixam-se dores de cabeça, dores nas articulações e fadiga vinda de estresse. “Para isso a própria medicina disponibilizou os analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares, para que a população possa utilizar em primeira mão sem precisar recorrer ao profissional”, diz Villagomez.

Em casos como esses, o brasileiro apresenta altos índices de consumo. Segundo a Sanofi, uma das principais empresas do ramo farmacêutico no mundo, a medicação mais consumida no país é o Dorflex, remédio de venda liberada sem prescrição que tem a dipirona como principal composto ativo e que costuma ser utilizada tanto para amenizar dores de cabeças, como musculares.

“Nós estimamos que no Brasil, são consumidos cerca de 55 comprimidos de Dorflex por segundo. Além disso, foi detectado que usuários esporádicos do remédio consomem uma média de 29 comprimidos por ano, enquanto o usuário médio consome 35 e os ‘heavy users’, como são chamados os usuários que utilizam com muita frequência, consomem 44 comprimidos anualmente”, revela Joana Dias, diretora de inovação em Consumer Health Care da Sanofi Brasil.

Mesmo com esse tipo de medicação  disponível facilmente para a população, seu uso pode camuflar problemas mais graves. “O uso indiscriminado de analgésicos podem mascarar doenças sérias. Uma dor de cabeça frequente que melhora com uso dessa medicação pode ser um indício de um provável AVC, por exemplo”, pondera Villagomez. 

“Eu como médico desaprovo a automedicação para doenças crônicas ou agudas, e peço sempre muita cautela com a automedicação para os sintomas. Peço sempre que, se persistir o sintoma por mais de 24h, procure um posto de saúde”, finaliza o médico.