Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

'Beetlejuice, não tenho mais medo de você!

Exposição que segue para Brasília faz um mergulho no misterioso, intrigante e indecifrável 'Mundo de Tim Burton'


12/06/2016 às 15:07

Natália Caplan*

Todas as vezes que eu assistia “Os Fantasmas se Divertem”, me via encurralada em um contraponto: devo rir ou sentir medo? Afinal, era uma menina de 7 anos que gargalhava e, ao mesmo tempo, jamais me arriscava em pronunciar “Beetlejuice” várias vezes, na probabilidade de o dito cujo surgir do nada. E a vontade de consolar o “Edward Mãos de Tesoura”? Mas o nervosismo só de olhar as lâminas afiadas...

A última vez que assisti a esses filmes, foi há cerca de 20 anos. Entretanto, fui chacoalhada pela mesma mistura de sensações quando adentrei "O Mundo de Tim Burton", no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Diferentemente da maioria dos visitantes, não me considero fã — apesar de admirá-lo muito. Fui incentivada pelo amor por eventos culturais e, principalmente, curiosidade de decifrar o que se passa na mente do cineasta.

E sabe o que eu descobri? O cara é um gênio in-de-ci-frá-vel-men-te (não, essa não palavra existe) único! A mostra revela o lado sombrio, sarcástico, crítico, inovador, engraçado e (por que não?) infantil de Burton. Aliás, se teve algo que me fez engolir seco foram os desenhos inspirados na infância dele. Eu me vi em alguns e senti vontade de abraçá-lo, dizendo “cara, eu te entendo” (ou, pelo menos, acho que entendo... Hahaha!).

Cartazes, vídeos, projetos inacabados, objetos estranhos, sons inquietantes, excesso de cores (ou a falta delas em meio ao monocromático)... Quem teve a oportunidade de mergulhar, não apenas “olhar”, saiu de lá intrigado. As críticas sociais e a visão nada alegre ou romântica do Natal e do circo, também me fizeram repensar sobre valores, família e a sociedade em que vivemos atualmente. A palavra solidão pareceu ganhar um sentido palpável.

Tenho a impressão de que estou sendo muito mórbida (?) neste post... Então, vou contar o que eu mais amei na exposição gigantesca (quase me perdi lá dentro =x): os desenhos em guardanapos. Sim, você leu certo. Tim Burton tem TODOS os desenhos dele guardados e, acredite, muitos feitos casualmente em lanchonetes e restaurantes. São verdadeiras obras de arte, cheias de detalhes impressionantes, que fazem as manchas de café ser um “toque” a mais.

Eu tive a oportunidade de conhecer a exposição em São Paulo — o próximo destino dela é Brasília (DF). O mais incrível dessa experiência foi a vontade imensa de assistir o Michael Keaton no papel de Beetlejuice (Beetlejuice, Beetlejuice...) novamente — desta vez, sem receio de que ele pule da TV para me assombrar. Aliás, por que não fazer uma maratona com direito à “O Estranho Mundo de Jack”, “James e o Pêssego Gigante”, “Batman”... E como diria Beetlejuice: 'Está na hora do espetáculo!'

*Jornalista e doula em defesa do parto humanizado, ama livros de ficção, romance e suspense. Vício: filmes “fofinhos” e séries americanas.

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