Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Campanhas publicitárias que deram errado

Na era da mobilização digital, propagandas são desafio para marcas, por isso, a publicidade com conteúdo duvidoso não têm mais vez nos tempos atuais


09/04/2018 às 17:20

Por: Maria Paula Santos

As campanhas publicitárias são sempre um grande atrativo para o mercado, e uma das maiores relações fornecedor e cliente que existem hoje. Não há como adivinhar como será a reação do público com a propaganda e por isso nem sempre elas acabam saindo como o planejando. O problema é a intenção sempre vai ser das melhores, mas no mundo em que vivemos não há mais espaços para erros que dizem respeito a qualquer tipo de discriminação. 

Infelizmente, algumas marcas  ainda tropeçam nesse quesito. Recentemente a MC Donald's cometeu uma pequena gafe. Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, colocou em vinte restaurantes da marca equipes 100% femininas para trabalhar, mas a ideia acabou rendendo piadas e reclamações nas redes sociais. O que deveria sair como uma valorização do trabalho feminino, acabou se tornado uma forma de desrespeito. 

“Eu como mulher me senti extremamente ofendida, a gente até entende a intenção deles por trás de tudo, mas não foi bem executado, é um tiro que saiu pela culatra. E como publicitária, eu nunca teria aprovado uma campanha dessas, não podemos generalizar quem idealizou o projeto, mas o pior é ela ter sido aprovada para vincular em redes sociais. Como profissional a idea de pensar em uma campanha como essa é chocante”, comentou a publicitária Ariadne Ribeiro, 24.

De acordo com o McDonald’s, metade do quadro de funcionários no Brasil é composto por mulheres. Esse número chega a 56% nos cargos de liderança. Em nota, o McDonald’s afirmou que os homens não foram dispensados, e sim realocados em outras unidades que não esses vinte restaurantes. “Lamentamos que alguns clientes tenham concluído a mensagem de maneira equivocada”, diz o texto.

Tá de Brincadeira

Às vezes é falta de sorte da marca, mas em outras tantas é falta de bom senso mesmo. Alezzia é uma marca de móveis em aço inox. Segundo a descrição de sua página no Facebook, é “uma empresa ousada que segue firmemente as próprias ideias sem se apegar a conceitos e paradigmas”. Apenas uma autoafirmação dos ideias do proprietário declarado abertamente machista. 

Tudo começou quando Alexandre do Nascimento, dono da loja, resolveu dar sua opinião sobre os membros do grupo “Behance Brasil” de mercado de trabalho em design gráfico. Pra ele, homens são melhores em design gráfico simplesmente porque são homens. Não satisfeito, a sua equipe publicitária começou a usar mulheres seminuas pra vender seus produtos. 

A polêmica gerada fez com que a Alezzia, ao invés de pedir desculpas, lançasse um desafio: se a página chegasse a uma nota de avaliação 4,5, ou mais, doaria R$ 20 mil em produtos para a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), que não aceitou o montante nem quis se associar à marca. Após algum tempo, quando o estagiário Gabriel Vaz foi demitido pela empresa que trabalhava, por postar uma imagem dizendo que feministas não conseguiam carregar sacos de cimento e eram "aborteiras", Alezzia voltou aos holofotes oferecendo um estágio a ele. Pouco depois, os portais de venda da marca foram hackeados.

“O mercado publicitário ainda tem o defeito de ter uma maioria de homens com pensamentos preconceituosos e acabam saindo erros como esses. É obvio que existem campanhas brilhantes, mas quando se junta o poder publicitário com idealismos ultrapassados é esse o resultado”, comentou a publicitária.

Ninguém Escapa

Marcas de cerveja sempre foram conhecidas por desrespeitar a mulher - a exemplo da Skol com a desastrosa campanha “Esqueci o Não em Casa” -, mas é sempre uma surpresa quando marcas feitas para elas acabam metendo os pés pelas mãos, e não necessariamente falando só sobre gênero. Isso é um exemplo clássico da marca de higiene Dove, a qual foi acusada de racismo nas redes sociais por causa de um vídeo curto onde uma mulher negra se transforma em uma mulher branca após usar o sabonete. 

“Estamos reavaliando nossos processos internos para criar e aprovar conteúdo, evitando esse tipo de erro no futuro. Pedimos profundas e sinceras desculpas pela ofensa que o vídeo causou e não toleramos nenhuma atividade ou imagem que insulte qualquer público”, disse a marca. O vídeo foi removido, mas as imagens foram divulgadas por diversos usuários no Twitter.

O segredo para erros como esses, que atingem milhões de pessoas, é a resposta da empresa. É importante aprender com as falhas,  por isso é recomendável que as marcas revejam seus conceitos quando os seus clientes se encontram incomodados com a maneira de venda do produto.


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