Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Cidade Negra chama a gente “pra responsa”


04/04/2016 às 18:31

Por Lídia Ferreira

Ainda nem consegui superar  a forte dose do Reggae Power do Natiruts e vem o Cidade Negra “cunsca” - para ser educada e não dizer outra coisa.  Repertório recheado de hits e reverências a grandes nomes música marcaram a passagem deles por Manaus. E se na última sexta Tico Santa Cruz avisou, antes mesmo de subir ao palco, que o show no Porão do Alemão seria só música e zero de opinião, no sábado, Toni Garrido foi bem diferente: “Vocês tem a maior responsabilidade com isso aqui”, declarou o cantor, instigando o público amazonense.

Logo de início, o vocalista do Cidade Negra foi de pouco papo e muito canto.  O show, realizado no último sábado (2), na piscina do Tropical Hotel, foi uma apresentação para quem quis matar a saudade: só tocaram os principais sucessos – “Girassol”, “Firmamento”, “Onde você mora?”, “Pensamento”, e por aí foi. Mas longe de ser só isso.

A banda “trintona” mostrou que está com todo o frescor e sinergia. Todas as canções tiveram arranjos novos, sem descaracterizar suas versões originais, mas que deram um tom de novidade. E tirar do óbvio o já conhecido é com eles mesmos: brindaram o rock tocando Legião Urbana; à MPB com trechos “Cotidiano”, do Chico Buarque; ao mestre Bob com a “reza” “Is this Love?” e ainda levantaram a plateia com “Pescador de ilusões”, de O Rappa. Tudo ao estilo reggae. Me diz, e tinha como ficar parado?

'Pensa bem, pensa bem!'

O que parou mesmo foi Toni Garrido, que soltou o verbo, na maior tranquilidade e sem nenhum tom de polêmica. “Talvez a gente esteja falando na cidade mais importante do planeta. E é só parar para pensar um pouquinho, de verdade”.

Ele nos chamou, sim, a gente que mora aqui, amazonenses de nascença ou de opção,  para a “responsa”. “Pensa bem onde é que vocês estão. Nas leis que vocês criam... Pensa bem neste lugar que vocês detém, com toda honra de Deus para o futuro da humanidade, não só do Brasil. É pequeno a gente pensar só no Brasil quando a gente fala de Amazônia. A gente  está passando por um momento muito difícil (...) o contraponto para a gente para poder levar esse barco à frente, para  a gente ter uma nação mais  linda do mundo é a nação que está sendo criada aqui e vocês têm a maior responsabilidade nisso”.

Show para ver, sentir e pensar. O que a  gente queria mais? Mais show. Sessenta minutos, cronometrados de relógio, foi pouco. Levamos para casa o “gostinho de quero mais”.  


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