Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Como as redes sociais serão no futuro?


22/04/2019 às 15:09

Rosiel Mendonça
rosiel@acritica.com

Quando as redes sociais começaram a despontar, ninguém sabia ao certo que rumo elas iriam tomar ou qual seria o seu grau de influência na vida real. Hoje, essas ferramentas são uma das principais plataformas de produção e distribuição de conteúdo, além de serem um dos pilares do marketing em tempos de Internet.

Mas o que o futuro reserva a essas redes? Para responder a essa pergunta, a reportagem ouviu dois nomes com forte atuação no meio digital – a jornalista Joyce Pascowitch, editora do portal Glamurama, e a influencer de moda e lifestyle Paulinha Sampaio.

Para Joyce, que fez carreira na mídia impressa e na televisão antes de migrar para a Internet, as redes sociais são uma discussão ainda aberta. A certeza dela é que o futuro desse segmento não será igual ao presente. “Há muito o que melhorar. Parece que estamos até agora em soft opening, num processo de treino em que mais erramos do que acertamos”, comenta a jornalista, para quem as redes começam a perder unanimidade. “Elas estão sendo questionadas por algumas empresas mais vanguardistas. Recentemente, tive notícia de uma em Londres que resolveu sair das redes sociais para investir mais em venda direta”.

Ela se refere à Lush, marca britânica de cosméticos naturais e cruelty-free, que anunciou aos seus mais de 500 mil seguidores no Instagram a volta a um modelo mais tradicional de marketing. “Estamos cansados de lutar com algoritmos e não queremos pagar para aparecer em seu feed de notícias”, justificou a empresa, que pretende investir nos contatos via e-mail, telefone e aplicativo próprio.

Em relação a como será a produção conteúdo para as redes daqui a uns anos, Joyce aposta na diversificação dos formatos e até numa ressignificação do papel das atuais influenciadoras digitais. “Antigamente, conteúdo era jornal e revista. Hoje é fazer evento crossmedia e cobertura 360 graus, como fazemos no Glamurama. A importância do conteúdo sempre vai existir, os tratamentos é que serão diferentes”, diz.

“As próprias influencers, que tiveram um boom enorme, já não são mais o que eram porque se percebeu que elas influenciam mediante pagamento. É como fazer anúncio na televisão – tem seu poder, mas é algo mutante. Não digo que a função delas vai deixar de ter relevância, mas vai mudar. Quem perceber isso não precisa perder, mas pode mudar junto”.

Tecnologia

Paulinha Sampaio, que faz parte do time F*Hits, uma das maiores plataformas de influenciadores digitais, acredita que os meios de comunicação, incluindo a as redes sociais, tendem a não ser os mesmos na próxima década, ou até antes. Para ela, o que fará a diferença será o nível de profissionalização dos produtores de conteúdo.

“Eles já se entendem como profissionais e têm buscado conhecimento para ter um conteúdo à altura dos maiores canais de televisão e cinema. O fato de a tecnologia estar mais acessível foi essencial para isto. Hoje um celular consegue produzir filmes e fotos tão boas quanto as câmeras mais caras. Lembra de quando a gente sonhava com uma câmera que tinha 2 pixels?”, questiona.

Para a influencer, no futuro os brasileiros também vão continuar sendo relevantes como produtores e consumidores de conteúdo nas redes globais. “Somos um povo criativo e que ama comunicação. Temos destaque em todos os meios de comunicar, não é à toa o grande número de prêmios nas áreas de publicidade e televisão. O brasileiro só precisa de uma chance para se mostrar ao mundo”, opina.

Paulinha imagina um futuro em que as redes sociais irão aprofundar ainda mais os recursos de interatividade e imersão, possibilitando outros níveis de experiência aos usuários. “Acredito que exploraremos melhor tecnologias como a realidade virtual. Esse refinamento tecnológico vai se tornar gradualmente acessível a todos”.


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