Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Crítica: 'Os Vingadores: guerra infinita'


30/04/2018 às 13:46

Daniel Bydlowski*
Especial para  A CRÍTICA

Dirigido por Anthony Russo e Joe Russo, “Os Vingadores: Guerra Infinita” traz tudo o que o trailer promete: uma coleção enorme de personagens populares e ação que deixa qualquer um sem fôlego. Além disso, as cenas têm bastante humor, o que dá um divertido contraponto a momentos tristes e sem esperança. Isto não é novo no universo da Marvel. O primeiro filme dos “Vingadores”, em 2012, trazia muitas das características deste terceiro longa da franquia (fora, claro, essa destruição generalizada). Porém, o que é bastante diferente é que a presença excessiva de personagens não permite ao público focar em nenhum herói.

Há apenas um personagem que é central na narrativa: Thanos, o vilão. Claro, com tantos heróis e poucos vilões, isto naturalmente aconteceria. Porém, isto também traz problemas na narrativa. Não é que os diretores Russo falharam na sua tentativa de criar um universo bastante divertido e excitante. Ao contrário, é um grande feito eles terem conseguido dar unidade a uma obra que poderia ir a tantos lugares diferentes.

Mas mesmo assim, fica claro que muitas das características que dão sucesso a uma obra artística, desde a literatura até o cinema, parecem estar diluídos no filme. Para começar, cada produção do universo Marvel até agora tem uma coleção de heróis com personalidades bastante diferentes. Uns são mais egoístas enquanto outros são mais nobres, uns querem salvar o planeta imediatamente enquanto outros tentam manter o status quo por mais tempo. Personagens diferenciados dão a dinâmica que uma obra precisa ter para que seja interessante.

Porém, a incrível quantidade de heróis em “Os Vingadores: Guerra Infinita” faz com que personalidades repetidas interajam em certos momentos, criando uma dinâmica menos interessante. Além disso, não há tempo para desenvolver nenhum destes relacionamentos de maneira completa. O resultado é que o longa usa o conhecimento que temos dos personagens em filmes passados para impulsionar a história. Às vezes, isso se torna bastante repetitivo, como quando Tony Stark (“O Homem de Ferro”) acredita que Peter Parker (“Homem-Aranha”) não está pronto para lutar junto aos heróis adultos.

Além disso, “Os Vingadores: Guerra Infinita” parece sofrer por tentar agradar os fãs dos diversos heróis igualmente. Cada um recebe diálogos curtos e rápidos, o que ajuda nas cenas engraçadas, mas não no desenvolvimento de suas histórias individuais, que permanecem iguais aos títulos anteriores do universo da Marvel. O que importa é a atração principal, o vilão e a destruição que ele traz. Vemos lugares e heróis serem destruídos pelo superpoderoso Thanos, que quer destruir metade do universo para trazer harmonia a este, num objetivo perverso. Porém, ele acredita estar fazendo algo nobre, o que o torna certamente cativante.

Em histórias de super-heróis nos quadrinhos, o foco no inimigo não é novidade, mas certamente o é no cinema, especialmente quando a empresa por trás do filme é a Disney. Isso assume que o público quer ver os heróis queridos em situações desesperadoras. O fraco desenvolvimento de heróis, juntamente com cenas altamente trágicas, faz com que o longa se pareça com uma série de televisão, como “Game of Thrones”, que foi reduzida a menos de três horas de duração.

Mesmo assim, “Os Vingadores” diverte e termina com o seu intuito inicial, que é o de criar um clima desesperador que irá se resolver em produções seguintes (quando provavelmente tudo voltará ao normal). Afinal de contas, mesmo com todas estas diferenças, “Os Vingadores: Guerra Infinita” ainda é um filme de super-heróis.

* Daniel Bydlowski é cineasta brasileiro e membro do Directors Guild of America


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