Publicidade
Blogs

Febre do vinil abre caminho para a volta da fita cassete

12/03/2019 às 16:01 - Atualizado em 12/03/2019 às 16:05
Show jo o augusto por daryan dornelles   5 5bf9d5a5 63d6 447b 94e7 51f7dc135735
João Augusto, consultor da Polysom (Daryan Dornelles)

Para um mercado que já foi dado como morto, os números surpreendem. Atualmente, 65 fábricas espalhadas pelo mundo produzem mais de 50 milhões de unidades de disco de vinil por ano. Essa produção se alimenta de um interesse crescente pelas mídias analógicas, em especial o Long Play (LP), na contramão de um mundo cada vez mais digital e ligado em rede. Mas não é só o bolachão que deve ficar na dianteira dessa tendência musical.

Dona do posto de única fábrica de vinil em atividade na América Latina até o ano passado, a Polysom resolveu apostar no relançamento de outra velha conhecida que já havia desaparecido das prateleiras há uns 30 anos: a fita cassete. Álbuns como “Usuário”, do Planet Hemp, “Admirável Chip Novo”, da roqueira Pitty, e “Deus é Mulher”, de Elza Soares, são alguns dos títulos que ganharam versão nesse formato.

Segundo João Augusto, consultor da empresa instalada em Belford Roxo, Rio de Janeiro, o interesse pela fita K7 surgiu da oferta de antigos equipamentos de duplicação em alta qualidade, das marcas Kaba e Otari, e da descoberta de um engenheiro paulista que conhece tudo sobre essas máquinas.

“Vimos nessa combinação a oportunidade de oferecer mais um formato para audição de música. Simples assim. Ainda não temos muita informação sobre demanda porque está muito no começo. A única coisa em que estamos concentrados é em conseguir boa qualidade no áudio e nos impressos”, afirma ele, em entrevista à reportagem.

Para o consultor, a volta de mídias como o vinil e o cassete mostram uma convergência natural para experiências diferentes num mundo extremamente digital. A qualidade dos discos e fitas produzidos atualmente também ajuda os amantes de música, especialmente os mais jovens, a aderirem com mais facilidade a esse “novo” hobby.

“Os discos de hoje me parecem ter muito mais qualidade pela própria evolução da tecnologia e pelo aumento do grau de exigência do consumidor. Não se concebe hoje em dia, por exemplo, que você compre um disco e coloque uma moeda ou uma caixa de fósforos sobre o headshell da agulha se ele estiver pulando. Era o que fazíamos antigamente. Agora o comprador vai na loja e exige um disco que não pule ou pede o dinheiro de volta”.

Garimpagem

Para quem acha pouco convidativo o preço de um disco de vinil novo, os sebos ainda são um ótimo lugar para se iniciar no mundo da música analógica. Manaus tem uma modesta rede desses lugares, onde é possível garimpar desde raridades a discos que foram sucesso de vendas décadas atrás. Feiras de compra, venda e troca de bolachões também movimentam esse nicho na capital.

Um desses eventos é realizado todos os meses pelo colecionador e vendedor de discos Alexandre Neves, que tem um acervo pessoal de dois mil vinis. “Costumo adquirir e vender lotes. Também compro muito de fora e faço permuta”, explica. Ele se dedica ao negócio desde 2012, mas o gosto pelo vinil vem desde criança, quando via a coleção do pai crescer.

Para ele, o mercado de discos em Manaus ainda está se firmando, mas tem potencial para crescer. “Ele não é tão aquecido, mas funciona, tem uma circulação de dinheiro. Hoje essa é minha principal fonte de renda”, acrescenta o amazonense, que atribui o interesse renovado pela mídia analógica a uma misto de apego sentimental e qualidade sonora. “Com um bom aparelho, o vinil tem um som superior ao CD, porque a mídia digital não supre todas as nuances da música. É algo que dá pra perceber ouvindo. Mas é importante ter um aparelho e uma mídia em boas condições”.

Alexandre também entende que o aparecimento das vitrolas portáteis acabou fomentando a nova onda dos vinis - apesar de ele fazer ressalvas a esses equipamentos importados, geralmente feitos com material e tecnologia inferiores. “Esse é um entrave, porque sem aparelho não dá para ouvir. Seria muito bom se o Brasil voltasse a ter uma fábrica de toca-discos”.

Onde encontrar vinil em Manaus

Casa de Cultura Joaquim Marinho
Rua Chaves Ribeiro, 39, São Geraldo

Império Sebo e Antiquário
Rua Luiz Antony, 731, Aparecida

Sebo Art Vinil
Praça do Congresso, Centro

O Alienígena
Rua Lima Bacuri, 64 c, Centro

Sebo Edipoeira
Praça HeliodoroBalbi (Praça da Polícia), Centro

Toca do Vinil
Rua Singapura, casa 8, Campos Elíseos 2, Planalto