Sábado, 31 de Outubro de 2020

Guinga 70: compositor por natureza

No seu artigo deste mês, o músico amazonense Abner Viana homenageia um dos maiores compositores brasileiros da atualidade


18/07/2020 às 15:17

Por Abner Viana*

É simples, quero falar do Guinga... É isso!
Seu nome é Carlos Althier de Sousa Lemos Escobar, nascido em 10 de Junho de 1950 na cidade do Rio de Janeiro.  Músico já de nascimento (violonista), formado em Odontologia, mas, compositor por natureza.  Aliás, pela força da natureza, no qual ele mesmo cita: “a música transcenderá a minha existência.” Vos apresento o conhecido Guinga com os mais belos acordes do subúrbio carioca!
 Em sua formação musical, Guinga, que foi criado na zona norte do Rio de Janeiro no bairro de Madureira, aprendeu música em sua família com um tio que tocava inúmeras serestas, como o próprio relatou a mim em uma entrevista concedida quando estava em Brasília (em 2006), e em outra oportunidade em Manaus (em 2007). Foi por cinco anos aluno de violão clássico de João Pedro Borges e Jodacil Damasceno (que ainda hoje é uma referência no violão brasileiro deixando um legado de altíssimo nível do qual Guinga o usufruiu). E, Guinga iniciou-se na composição aos 16 anos de idade e trabalhou profissionalmente com grandes nomes da música brasileira, dentre os quais me destacou: Clara Nunes, Beth Carvalho, Alaíde Costa, Cartola e João Nogueira. 
 Guinga ocupa um lugar de destaque no panteão brasileiro dos grandes compositores que sabem muito bem representar o Brasil mundo afora. Ao lado de: Villa-Lobos, Radamés Gnatalli, Cláudio Santoro, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Moacir Santos, Hermeto Pascoal, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Baden Powell, Egberto Gismonti, João Bosco, Aldir Blanc (com quem foi parceiro musical), Chico Buarque e entre muitos outros (apenas citei alguns que foram mais relevantes durante minha entrevista com ele). Suas composições têm tomado tal proporção mundo afora que o bruxo dos sons, Hermeto Pascoal (O Campeão), afirmou: “um cara como esse só aparece a cada cem anos”. Inegavelmente, já vem sendo considerado pela crítica internacional como o maior e mais importante compositor brasileiro da atualidade. Que bom pra nós, podermos ver o Brasil muito bem representado musicalmente. E o mais interessante foi que grande parte de sua obra era composta dentro de seu consultório ou na faculdade de odontologia. “Muitas das vezes eu ia tocar, chagava em casa, via minha cama arrumada e nem me deitava, ia direto pra faculdade de odonto e lá, nas horas vagas, com o pouco tempo que tinha, escrevia minhas músicas e estudava um pouco de violão”, recordava ele, me 
contando. 
 E, aos 70 anos, como forma de homenagear uma personalidade musical de tamanha importância para a música, quero lhes apresentar os “Top 10” discos do próprio, a vocês leitores. Detalhe importante, minha lista não está em ordem cronológica, isso porque está de acordo com meu gosto pessoal, mas isso não significa que cada leitor e/ou amante musical que se depara com essa obra também não possa elaborar sua própria lista. Aí vai:

1) GRAFFIANDO VENTO (Guinga e Gabriele Mirabassi/2004).
2) MAR AFORA (Guinga e Maria João/2015).
3) DIALETO CARIOCA (2007).
4) DELÍRIO CARIOCA (1993).
5) SIMPLES E ABSURDO (1991).
6) NOTURNO COPACABANA (1993).
7) SAUDADES DO CORDÃO (Guinga e Paulo Sérgio Santos/2009).
8) RASGANDO SEDA (Guinga e Quinteto Villa-Lobos/2012).
9) UNHA E CARNE (Guinga e Marcus Tardelli).
10)  CINE BARONE (2001).
 

Parabéns ao Guinga! Quem ganha com isso somos nós e a música! Que venham mais 70 anos de muita criatividade.
 

 

 

* Abner Viana é natural de Manaus- Am. Músico (Saxofonista/ Clarinetista) e pesquisador, possui Mestrado em Música pela UEA. Já trabalhou com diversos artistas nacionais e internacionais tanto no Brasil, Europa, bem como na América do Sul.


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