Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Maquiagem sem gênero, cor ou credo: a bandeira de Agustin Fernandez


11/08/2016 às 18:59

Laynna Feitoza

Os mais de 740 mil seguidores do maquiador uruguaio Agustin Fernandez são certamente justificados pelo seu carisma e simpatia. Podem perguntar isso para qualquer um que acompanhou seu workshop na última quarta (10), durante a Manaus Expo Beauty. Após ser anunciado, ele chegou a entrar no Salão Nobre do Studio 5, a sair e a voltar com um celular nas mãos filmando o público, só para ter uma entrada triunfal. E pelo que demonstrou, durante todo o workshop, ele é digno disso mesmo.

A interação com os fãs foi um show à parte. Ele ficou super emocionado com o volume de gente – segundo a organização, mais de 300 pessoas estavam no workshop – que estava lá. Lá, tirou fotos com a plateia e fez questão de tirar foto com cada um, ao final do evento. Algumas fãs mais exaltadas gritavam “Lindo”, e ele sempre as correspondia, devolvendo na mesma moeda a chuva de “Obrigado, você é linda!”.

Nas redes sociais, ele é conhecido por ser um homem que mantém a aparência masculina, mas que utiliza a maquiagem considerada por muitos como a “tradicionalmente feminina”. Sim, ele usa mesmo. Sombra, blush, delineador, rímel, batom, base, cílio postiço, glitter... e tudo mais o que tem direito. E dá um chega para lá nas críticas, procurando sempre esclarecer tudo e quebrar preconceitos direcionados a ele e a qualquer outra pessoa.

É aclamado por muitos por conta disso e, infelizmente, também criticado. Quando tudo o que ele quer é demonstrar que todos podem ser livres para usar o que quiserem, independente de gênero, cor, credo, e afins. Foi isso que ele conversou comigo após o workshop. “Eu queria ser uma referência. Não só gay, sempre falei que não queria ser visto como um gay que usa maquiagem. Queria ser visto como uma pessoa X que pode usar o que ela quiser, sempre que se sentir à vontade”, colocou ele.

“Não só porque sou um homem que usa maquiagem, mas porque as mulheres negras podem usar batom vermelho ou roxo, porque as brancas podem usar maquiagem super forte. Isso que eu queria transmitir, que independente do gênero, da cor, do sexo a pessoa pode se sentir bem. Isso chega a abraçar além da maquiagem", disse ele. Distâncias profissionais à parte, nem mesmo a repórter que vos fala escapou do carinho do maquiador. "Como você é linda! Amei seu cabelo", disse ele. E eu, como fã de tempos atrás que sou, me senti grata por aquele momento compartilhado.

No workshop, ele maquiou duas moças – uma foi escolhida por ele, na plateia. Uma negra lindíssima na qual ele utilizou sombra escura e batom vermelho vivo, para quebrar de vez com padrões. As demais mulheres se revezavam entre receber elogios e o carinho dele, além de claro, a pegar os brindes (maquiagens) que ele jogava ao público.

Das dicas dadas, as básicas porém preciosas de todo o evento: ao usar primer, dê um tempo para que ele seque e não deixe a pele oleosa. E não deixe nunca aquele velho tônico facial de lado, porque ele vai abrir e limpar os poros da pele. Com tanta popularidade, deve ser por isso que ele tem alcançado o objetivo pretendido ao quebrar rótulos: porque se enche de felicidade ao ver as mulheres maquiando os maridos e mandando fotos para ele ver. “Isso é incrível e muda os conceitos”, encerrou. E muda mesmo.

 


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