Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Memória da dança em Manaus: uma única obra em 17 anos


17/05/2016 às 14:11

Por Lídia Ferreira *

Um dos raros e primeiros livros a registrar a história da dança no Amazonas completa 15 anos em 2017. Na verdade mesmo, ele completa 17 anos. É que o autor, o jornalista amazonense Adalto Xavier, levou dois anos para publicá-lo. “Dançando conforme a música” é um marco para a memória das artes locais e acredite: é, até hoje, o único livro que enfoca a história regional dessa vertente artística. E sabe o que é mais inacreditável? Foi uma edição única e encontrar um exemplar, atualmente, é quase impossível.

 Editado pela Valer, em 2002,  “Dançando conforme a música” é um livro-reportagem com 207 páginas. De seus cinco capítulos, três relatam especificamente a dança em Manaus e os movimentos artísticos ligados a ela, desde as primeiras companhias, na década de 1970. O momento em que o Amazonas entra na dança, os pioneiros como José Rezende, Dançaviva, Ballet da Barra,  até a criação dos corpos artísticos da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) estão registrados na publicação. É uma verdadeira aula de história para quem quer conhecer um pouco do nosso DNA artístico.   

Já no prefácio, o autor conta seus estímulos para escrever, movidos pela “paixão e indignação” – o amor à arte expressada pelo corpo e a “fragilidade da incipiente bibliografia nacional”. Pessoalmente me instigou também, quando fui escrever minha monografia em 2008. Para as pesquisas de “O Jornalismo como ferramenta de divulgação para dança”, em que fiz um estudo de caso com foco no Corpo de Dança do Amazonas (CDA), fiquei impressionada de saber que o livro era a única fonte didática que eu tinha de pesquisa bibliográfica. O resto estava nos “perdidos” nos jornais no IGHA e nos acervos dos próprios bailarinos, professores e coreógrafos da cidade.

Como assim temos cursos superiores de História e de Dança bem como disciplinas de História da Dança na academia e apenas um livro sobre o tema? Pois é, de 2008 para cá, de acordo com a professora Lia Sampaio, do curso de Dança da UEA, continuamos da mesma forma.

Voltando ao livro, como disse acima, ele tem um tom de reportagem: texto leve e prazeroso de ler. Adalto Guilherme Xavier Gil, hoje conhecido no meio jornalístico pela assinatura de Guilherme Gil, deu um olhar crítico aos relatos. Além do talento e da técnica jornalística, ele foi uma testemunha ativa dos fatos. Na década de 1980,  viveu a dança: foi bailarino, professor e coreógrafo, com destaque para seu trabalho para o grupo Habeas Corpus. Ou seja, entende bem do assunto.

Por sorte, nos sebos e também na biblioteca da UEA é possível encontrar algum exemplar. Tentei contato com a editora Valer, mas não consegui essa informação. A edição foi mesmo única, então, acho difícil ter para vender. "Que triste isso. Achei que algum historiador ou alguém da academia faria algo maior. Na época, não tive recursos, só do meu bolso mesmo e saiu o que pôde. É o único ainda adotado nas universidades daqui", comenta Guilherme Gil.

Agora, acredite se quiser. Nem o próprio autor tem o dele...rsrsrs...Bom, eu tenho o meu – e só sei que não empresto!

 

 

MAIS SOBRE O AUTOR:

  Nascido em Manaus (AM), Adalto Guilherme Xavier Gil é professor de língua inglesa, professor de dança clássica e contemporânea, tradutor, intérprete, coreógrafo e jornalista. E tem nomes fortes. Quando começou a dançar, assinava Adalto Gil. Quando se formou jornalista homenageou a mãe, Erondina Xavier, como Adalto Xavier.Hoje é Guilherme Gil, em homenagem ao avô. Foi repórter e editor em redações locais como Jornal do Norte,Amazonas Em Tempo e Diário do Amazonas, assessor de empresas e companhias artísticas de dança e atualmente é diretor de marketing da Secretaria de Estado de Comunicação do Amazonas (Secom).

“Dançar é essencial.”

A dança surgiu na infância e virou brincadeira de gente grande. Começou a aprender balé clássico aos 18 anos, estudou o método Vaganova, fez cursos de jazz e de moderno, e não parou. Foi coreógrafo do Grupo de Teatro e Dança Jurupari, Grupo Experimental de Dança da Educação Física e do Balé Habeas Corpus. Desde 2006 pratica dança de salão e escreveu em 2002 o livro “Dançando Conforme a Música”.

A ideia de contar a história dos pioneiros da dança no Amazonas nasceu quando era estudante.“O intercâmbio de informação nas décadas de 1970 e 1980 não era tão acessível. Já havia uma história do movimento artístico que nunca tinha sido registrada. E que já estava se perdendo”.

 Aos 50 anos, ele lembra que conciliar a dança e o jornalismo não foi fácil, mas deu um desenvolvimento físico, intelectual e emocional fundamental em todas as outras áreas nas quais atuou. “Dançar é essencial”, finaliza. 

 

 

*Lídia Ferreira é jornalista, repórter do BV e blogueira do #lidica e  foi uma "quase" bacharel em Dança pela UEA


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