Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Meu filho não cresce, e agora?

Pediatra alerta para a importância de acompanhamento profissional desde os primeiros dias de vida para detectar e solucionar problemas no crescimento infantil


17/12/2017 às 16:55

Por Juan Gabriel

Crescer faz parte do ciclo natural da vida. Mas, quando o desenvolvimento da estrutura óssea não corresponde à expectativa, como lidar? A queixa é comum entre os pais que buscam por soluções nos consultórios de pediatria e não é por menos. O crescimento comprometido pode acarretar uma série de problemas dependendo da causa. Por isso,  detectar o problema o quanto antes pode ser um fator crucial para a eficácia dos tratamentos.

O estudante de administração Paulo de Souza, hoje aos 21 anos, mede 1,68 m. A estatura é motivo de vitória para ele, que afirma que os exames durante os primeiros anos de vida apontavam que dificilmente chegaria sequer aos 1,60m. Durante a infância, a baixa estatura não era motivo de incômodo, isso até a adolescência.

“Eu não me importava muito, eu era o baixinho, menor da turma, da casa, de tudo, mas eu não dava muita importância. Foi na adolescência que as coisas mudaram. Tinha um amigo meu que era muito baixinho e ele começou a crescer, me falou que tava fazendo tratamento e eu pedi ajuda dos meus pais que me apoiaram. Foi quando iniciei um tratamento pra crescer”, conta Paulo que realizou o tratamento durante dois anos, entre os 14 e 16 anos.

Apesar de tardio, os resultados foram satisfatórios. Mas, para a pediatra Ana Rosa Varela  o ideal para sanar o problema de maneira mais eficiente é que haja um acompanhamento individual feito desde os primeiros dias de vida, uma vez que os sintomas são silenciosos e só costumam ser percebidos durante o período escolar. A partir disso, é possível identificar com precisão se há algum problema no desenvolvimento estrutural da criança, levando em conta ainda fatores como a nutrição e a genética dos pais.

“A gente trabalha com base em alguns gráficos da Organização Mundial da Saúde (OMS), onde vamos marcando alguns pontos mês a mês a partir do nascimento da criança e depois do primeiro ano, de três em três meses. O trabalho é feito com gráficos específicos para altura, idade, peso e perímetro encefálico (tamanho da cabeça) e nos dá coordenadas para que possamos saber se o desenvolvimento está de acordo com o proposto, claro que levando em conta ainda o fator familiar”, explica a médica responsável pela pediatria da recém inaugurada clínica Urocal, localizada na Avenida Pedro Teixeira, bairro Dom Pedro.

Causas

O retardo no crescimento infantil pode ser atribuído a uma série de fatores como genética, anemia, infecções, alterações cardiológicas e até desnutrição. Outra causa bastante associada ao problema é o hipotireoidismo, condição na qual a glândula tireóide não produz quantidades suficientes de hormônios. A médica alerta que a queixa por parte dos pais é frequente, mas que muitas das vezes a baixa estatura dos filhos está relacionada a características familiares.

“Quando há suspeita de baixa estatura, o primeiro passo é solicitar exame de Raio-X da criança, que possibilitará ao pediatra fazer previsão estimada da altura que alcançará quando adulto. Então a família tem a opção de intervir ou não”, explica Ana, ressaltando que uma vez identificada qualquer tipo de alteração, a recomendação é partir para o endocrinologista pediatra, profissional adequado para designar o melhor tratamento. “Existe uma gama de fatores que devem ser levados em conta para o tratamento, mas o hormônio de crescimento vem sendo bastante utilizado na maioria dos casos”, explica.


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