Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Não é preguiça, é déficit de atenção

Especialista ajuda a desvendar mitos, causas e como amenizar impactos do transtorno que afeta até 6% da população mundial


29/04/2018 às 05:00

O enredo é quase sempre o mesmo: Os filhos adentram a fase escolar, com o passar do tempo, as atividades vão ficando cada vez mais desafiadoras. Enquanto os coleguinhas acompanham o ritmo, seu filho não. Fazê-las, sejam as lições de casa ou até simples brincadeiras, começa a se tornar algo difícil. No meio do caminho a falta de concentração, o acúmulo de pensamentos e a inquietude desviam a criança para qualquer outra coisa, deixando a atividade ali, no canto, incompleta. O saldo? Isso pode depender da percepção dos pais. 

A situação, até um tanto rotineira, pode ser um alerta de que seu filho seja portador do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), caracterizada pela dificuldade em se concentrar e, consequentemente, absorver as informações passadas, seja na sala de aula ou em casa. O caso é comum. As pesquisas mais recentes sobre o tema divulgadas pela comunidade científica em 2015, estima que cerca de 3% a 6% da população mundial sofra com o transtorno. No Brasil, segundo a USP, a média é de que 250 mil brasileiros sejam portadores do TDAH.

As causas que levam as pessoas a desenvolverem o déficit de atenção podem variar. Segundo a psicopedagoga Priscilla Lima, os casos mais frequentes costumam estar associados a micro lesões sofridas no lóbulo pré-frontal do cérebro. A intensidade com a qual o transtorno afeta o desenvolvimento da criança está ligado ao nível dessa lesão, podendo inclusive ser necessário a prescrição de medicamentos. 

“As micro lesões se formam por trauma, a criança pode ter caído ou ter sido sacudida. Nesse caso o cérebro fica balançando e bate na caixa craniana”, explica Priscilla que ressalta que o problema também pode ser genético ou até partindo de um padrão comportamental. “Existem estudos que comprovam ligações genéticas para a TDAH, mas isso não significa que dê pra prever se o filho vá nascer com o transtorno. Crianças também podem apresentar ao observar os pais, se são desorganizados, isso pode gerar neles um comportamento mais desatento”, diz.

Seja qual for o caso, não há cura. Amenizar os prejuízos causados pelo transtorno é o caminho a ser seguido e para isso é necessário primeiro a compreensão dos pais. Priscilla Lima destaca que, uma vez levantada a suspeita, muitas das vezes feita pela escola, é preciso que os pais se atentem a esse alerta e busquem auxílio profissional. O trabalho realizado, desde a detecção até o tratamento do déficit em si, é algo multidisciplinar, feito em conjunto com a escola e outros profissionais como neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e 
psicopedagogos. 

“Os pais podem começar (o tratamento) pelo psicopedagogo ou neurologista. O neurologista vai fazer o diagnóstico orgânico caso haja. Dependendo do grau, ele vai partir para um tratamento medicamentoso e eu começo as terapias cognitivas. Se a criança não tem um trauma neurológico então eu começo direto da terapia para desconstruir esse comportamento”, explica a psicopedagoga.

O processo por trás da diminuição dos impactos negativos causados pelo déficit de atenção passa por uma adequação das atividades diárias. O trabalho envolve, dentre outras coisas, a elaboração de uma rotina estratégica para que a criança consiga ir, aos poucos, se adaptando, fortalecendo seus pontos fracos e passe a acompanhar os coleguinhas de classe sem problemas.

“Criamos estratégias de rotina, então construímos um quadro de rotina, depois verificamos que estratégias essa criança precisa e então é feito a adaptação escolar. Há o acompanhamento psicólogico e na escola. A criança precisa entender que ela tem transtorno para lidar melhor com isso”, finaliza a psicopedagoga.

TDAH em adultos existe?  

Ao contrário do que muitos pensam, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade não é algo que acomete apenas crianças e existe sim na fase adulta, sendo muitas das vezes diagnosticado tardiamente. A psicopedagoga Priscilla Lima aproveita o tema para desvendar alguns mitos sobre o transtorno em adultos e explica como o diagnóstico apenas na maioridade pode afetar o desempenho pessoal e profissional de quem o tem (ver vídeo).

 


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