Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

O outro lado da história dos gatos pretos e pitbulls

Combate ao preconceito contra esses animais é desafio para veterinários e donos de pets


01/04/2018 às 14:12

Por Mayrlla Motta

Não são só os seres humanos que sofrem algum tipo de discriminação por causa da cor ou raça. Os animais também. Em tempos que a informação é tão importante para esclarecer assuntos como esse, o @bemviverblog traz na edição de hoje uma desmistificação a cerca dos gatos pretos e cães da raça pitbull. Então, se você já ouviu falar que eles são do “mal”, vamos te mostrar o outro lado da história...

Na Idade Média, por exemplo, os gatos pretos eram vistos como “bruxas reencarnadas”, usados até mesmo em rituais de magia negra. Inclusive até mesmo em filmes vemos os bichanos associados a algo ruim, como mascotes de bruxas.  A médica veterinária Jessica Cordeiro, esclarece que essa imagem  dos bichanos infelizmente é decorrente de uma superstição das pessoas, por isso, é importante ponderar que independente da cor, os animais são carinhosos, e precisam de um dono e um lar. 


Médica veterinária Jessica Cordeiro é especialista em felinos

A especialista em felinos esclarece outro ponto importante: a cor do animal não tem nada a ver com a personalidade dele. “Cada gatinho tem sua personalidade independente da sua cor, assim como os humanos. Alguns fatores que nós devemos destacar em relação a um gato ser mais carinhoso e outros serem mais medrosos e até mesmo agressivos é o fato da sua exposição ao ambiente”, disse.

E o amor pelos gatinhos vai do Amazonas ao Rio Grande do Sul. A fotógrafa Ingrid Anne e o assistente administrativo Maurício Jacques mesmo em Estados diferentes tem algo em comum: o amor pelos felinos, e o nome deles é quase igual, inclusive. Banguela e Manguela, ambos macho e fêmea. Coincidência não? 

Ingrid Anne adotou a Banguela quando ela tinha dois meses de vida. Desde então faz três anos que elas vivem juntas. Infelizmente a gatinha já sofreu algumas represálias por parte de outras pessoas. No ano passado Banguela apareceu com uma pata molhada e queimada recorrente de uma água quente. Por coincidência naquela semana era dia de sexta-feira 13. “Entendo que as pessoas supersticiosas não gostam deles porque pensam que dão má sorte ou que atraem coisas ruins. Nesse caso, basta não ter um gato preto. Agora, não dá pra entender que essas pessoas maltratem, machuquem e até matam os bichinhos por serem pretos. Isso é estupidez”, opina. 

Com relação ao temperamento do animal, a dona diz que ela é um pouco arisca, no entanto é carinhosa e independente. “Se eu morasse em uma casa grande, espaçosa, e tivesse condições financeiras, eu teria muito mais gatos e teria vários da cor preta. Porque vejo que muitos são abandonados e maltratados apenas por serem pretos”, disse ela completando que tem mais quatro gatos machos. 

Há dois anos, Mauricio adotou o Manguela. Para ele o preconceito para com o animal reina naquelas pessoas supersticiosas, principalmente pela herança da era medieval. Quanto ao gatinho dele, ele é bem diferente do que se pregue sobre o animal por ai. “Ele é muito elétrico, não para quieto, sempre pulando e brincando com os cachorros da casa. Muito inteligente, me espera todos os dias no portão de casa”, disse.


Mauricio Jacques e o animal de estimação

O assistente administrativo não se lembra de nenhum caso de maus tratos por parte da vizinhança para com o bichano. Para ele, independente da cor, é preciso respeito, sempre. “Eles são animais muito curiosos, simpáticos, super independentes, charmosos e cheios de atitude”, finaliza.

Os pitbulls são do bem!

Segundo o médico veterinário Ricardo Pontes, o cão só será violento ou não influenciado pela criação que o dono lhe dá. “Os cães são influenciados pelos seus donos e suas personalidades, se você ensinar seu Pitbull a ser bravo ele vai ser, e muitos culpam o cão ao invés do dono, que acaba criando essa imagem ruim dessa raça tão linda e inteligente”, disse. 


Foto: Evandro Seixas

O médico já criou dois pitbulls e nunca teve problemas com o temperamento deles. De acordo com o profissional o animal pode apresentar agressividade com outros animais e não com a família que o cria. “São cães muito inteligentes e obedientes. Se tiverem atenção de seus donos e um bom abrigo, eles se tornam ótimos animais de companhia. Mas para temos uma visão melhor sobre eles, só criando um para ver o quanto são cães maravilhosos”, pondera. 

Na vida profissional o veterinário não se recorda de eventos ruins com a raça, mas sim com aqueles de raça não definida. Ele se recorda de um caso em que teve de usar cambão para conter o animal para poder fazer uma coleta sanguínea. 

O veterinário finaliza dizendo que o importante na criação de um animal, independente da raça ou cor, é a criação. Por isso, é importante um abrigo coberto e arejado, água e ração de qualidade para o animal, e o principal: carinho e atenção dos familiares.


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