Sábado, 04 de Julho de 2020

O que precisaremos para nos reinventar culturalmente?

A participação artística nessa nova Manaus se tornará elemento essencial a um pensamento econômico


02/06/2020 às 15:57

Por João Fernandes*

A cidade em sua materialidade plasmada em ruas, praças ou jardins, no sentido estrito de seu planejamento e construção, por exemplo, pode ser lida como um lugar, sem significações simbólicas relevantes para os sujeitos, que não estabelecem com ele qualquer vínculo relacional. É a partir do habitar a cidade que ela passa a ser significada e pode ser transmutada e transformada pelos sujeitos que ali transitam e o (res)significam a partir de suas vivências particulares e sociais. Um lugar que nunca é um dado natural e é sempre construído.

O Centro Histórico das cidades e seu patrimônio cultural no aspecto histórico sempre esteve ligado ao processo de formação de identidade, e neste contexto acreditamos retomar e dedicar ainda mais amor a nossa Manaus.   Apropriar- se desse grande potencial que nosso centro possui é entender que após essa pandemia teremos que nos reinventar enquanto agentes culturais. A cidade passará a ser um indicador de qualidade de vida, o que já era antes para muitos agora será necessidade para todos nesse ranking de uma cidade boa para se viver.

Para se posicionar nessa nova condição global em que a arte estará inserida, será necessário pensar novos espaços de atuação, sejam eles virtuais ou novas formas de economia. Pensar novos espaços de convivência que possam agregar ações culturais e que criem referências para novos olhares da qualidade urbana, agregando valores de mobilidade, segurança e cultura. Assim serão as novas cidades pensadas para possibilitar novos encontros e com isso os problemas que vivemos virão a mesa para novas formas de pensar a vida.

Nesse lugar a arte e cultura serão fatores indispensáveis para seguirmos como uma estratégia de revalorização da cidade, em especial nosso centro histórico e o papel dos artistas nessa retomada de lugares possíveis para promover novos hábitos e valores para a construção de uma atmosfera sensivelmente diferente.

Espaços de criatividade artística, os lugares culturais constituem, ao mesmo tempo, um respiro na cidade. A participação artística nessa nova Manaus se tornará elemento essencial a um pensamento econômico. Agregado a esses artistas que tiveram suas vidas profissionais paradas pela ausência de uma ação pública de entender a necessidade da arte e como ela completa uma cidade e sua população.

Para além de um simples pensamento de uma cidade melhor, a dimensão polissêmica da noção de cidade criativa convida à redescoberta das qualidades da cidade como um lugar de alteridade, de encontros imprevistos, de experiências inéditas, de autonomia, de invenção de novas maneiras de ser e fazer e de diversidade de recursos. 

Agora nós artistas e gestores culturais teremos esse grande desafio que reside em nossa capacidade de se renovar, de inventar constantemente novas formas, de fazer emergir outras cenas inventivas, diferentes, radicais, de abrir outros espaços fora do panorama tradicional e rotineiros. Seja ela urbana, artística ou tecnológica. E por que não todas juntas?

 

 

*Artista, gestor cultural e professor universitário, gestor cultural com formação pela Universidade Cândido Mendes, Técnico em Artes Cênicas pela Universidade federal do Ceará (UFC), graduado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Mestre em Letras e Artes pela Universidade do Estado do Amazonas e Doutorando em Administração de Empresas pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Atualmente é professor dos cursos de Graduação em Dança e em Teatro  e Coordenador da Pós-Graduação Latu sensu em Gestão e Produção Cultural  na Universidade do Estado do Amazonas .  É gestor do espaço cultural Casarão de Idéias.


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