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Os sabores da Alemanha

Na chegada do mês que marca a tradicional Oktoberfest, desvendamos os segredos e histórias por trás da rica gastronomia alemã 01/10/2018 às 17:26 - Atualizado em 01/10/2018 às 17:27
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Luiz e Indianara Lauschner falam sobre os principais alimentos que constituem a rica culinária da Alemanha (Foto: Márcio Silva)

Por Juan Gabriel

O mês de outubro marca a chegada de um dos mais tradicionais eventos do mundo: a Oktoberfest. A festa, criada em 1810 pelo então rei bávaro Ludwing I, como forma de comemorar seu casamento junto aos moradores da cidade de Munique, na Alemanha, transformou-se ao longo do tempo e ganhou espaço no calendário festivo de vários países ao redor do mundo. Mas nem só de cerveja se vive a celebração. O evento é uma forma de reafirmar a cultura alemã através também da rica gastronomia do país.

São incontáveis os pratos tipicamente consumidos na Alemanha. Isso porque a gastronomia germânica consiste em variadas vertentes que sofrem influências de acordo com a região. No sul do país, por exemplo, existe uma forte interferência da cultura gastronômica suíça e austríaca. Embora haja essa variedade, existem alguns pontos em comum que interligam a cozinha alemã.

Filho de imigrantes alemães e com mais de 25 anos de experiência no setor gastronômico, o empresário Luiz Lauschner ajuda a esclarecer o que de melhor há na culinária do país. Segundo ele, até por conta do pouco espaço territorial da Alemanha, há um forte apego a carnes de animais menores, em especial o porco.

“A Alemanha tem uma gastronomia muito variada, mas tem uma característica que é o consumo de animais de pequeno porte. Até por razões de espaço, o país não é tão grande, mas a população é, então a Alemanha, assim como a Polônia e a Inglaterra, tem uma grande tradição com a carne de porco. Os alemães também apreciam bastante a carne de coelho”, revela Lauschner.

A carne de porco de fato ajudou a moldar a culinária alemã e, principalmente, é responsável por receitas que se difundiram pelo mundo, popularizando ainda mais esse tipo de cozinha. Graças a ela é possível produzir uma variedade de salsichões, talvez um dos traços mais marcantes da cultura gastronômica do país, além de outros pratos típicos como o joelho de porco e o Kassler, feito com a bisteca.

Batata

Se no prato do brasileiro não pode faltar o bom e velho feijão com arroz, em terras alemãs a grande protagonista são as batatas. Estima-se que o consumo per capita de batata no país europeu seja de cerca de 60 quilos por ano. Seja em forma de sopa, assada, frita, cozida ou gratinada, o consumo do tubérculo é constante e essa paixão vem de séculos atrás.

“No século XVII, o rei Frederico Grande descobriu a batata, que veio do Peru, e impôs por decreto que todos os proprietários de terra a plantassem porque ela tinha um ciclo de produção muito curto e era muito calórica. Então em três meses você tinha o alimento ali para colher que te gerava mais calorias que o trigo e o arroz. A Alemanha foi o país que mais desenvolveu a batata e hoje existem mais de 150 variedades dela”, conta Lauschner.

Uma das formas de consumo da batata mais populares na Alemanha é a famosa salada de batatas, hoje difundida no mundo todo. “Os primeiros a misturar o creme da maionese com a batata foram os alemães”, pontua Lauschner, que ao lado da filha, a chef de cozinha Indianara Lauschner, ensina uma receita tradicional desenvolvida pela família há gerações.