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Projeto incentiva a literatura nas comunidades do interior do Estado

Mais de 150 crianças e adolescentes de comunidades ribeirinhas exercitam a arte literária em encontro com escritores de Manaus 24/09/2018 às 14:09 - Atualizado em 24/09/2018 às 14:12
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Fotos: Divulgação/FAS

DA REDAÇÃO

Mais de 150 crianças e adolescentes de comunidades do interior do Estado exercitaram a leitura e a escrita junto de Jan Santos e Beatriz Mascarenhas, nomes promissores na literatura regional

Instrumento capaz de fazer a mente do ser humano transcender no tempo e no espaço, a literatura é, ainda, pouco acessada por considerável parte da população brasileira, seja por falta da “cultura do ler” ou devido a um deficitário ensino público. E para comunidades ribeirinhas localizadas nos mais longínquos territórios no interior do Amazonas a arte da leitura e da escrita é, por vezes, uma experiência mais distante.

Por este motivo, e com o objetivo de promover a leitura, o domínio da oratória e da escrita para crianças e adolescentes de escolas ribeirinhas de quatro Unidades de Conservação (UC) no Amazonas, o Projeto Incenturita, da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), levou dois escritores amazonenses, Jan Santos e Beatriz Mascarenhas, para visitar jovens estudantes dessas comunidades. As ações foram realizadas em parceria com o Instituto Alair Martins.

Nomes promissores na literatura amazônica e conhecidos por obras sobre o folclore amazônico e poesias em versos livres, Jan e Beatriz exercitaram a arte da leitura e da escrita com mais de 150 alunos dos núcleos Márcio Ayres, da comunidade Punã, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Mamirauá, no município de Uarini; Agnello Bittencourt, na comunidade Tumbira, na RDS Rio Negro, em Iranduba; e Assy Manana, na comunidade Três Unidos, dentro da Área de Proteção Ambiental Rio Negro, em Manaus.

Atividades

Nos encontros, que contaram participação voluntária dos escritores, os jovens puderam compartilhar vivências e sentimentos em relação à escrita. “São jovens que contam histórias o tempo todo. Histórias orais de assombração ou ‘visagens’, histórias de animais, de temporais, de caminhadas na floresta, etc. Nosso objetivo era estimulá-los para que pudessem enxergar como possível a imortalização de suas histórias através da escrita. Nada melhor que pudessem interagir diretamente com alguém que dedica sua vida à arte da escrita”, disse Emerson Pontes, coordenador do Projeto Incenturita.

De acordo com Pontes, durante as visitas foram desenvolvidas atividades como oficinas sobre subgêneros literários, desde o conto, até a ficção e elementos tradicionais de narrativa; rodas de diálogo sobre as relações entre tradição oral e a literatura; oficinas de improviso e narração; oficinas de produção textual, além de leituras compartilhadas de textos de Jan Santos e de Beatriz Mascarenhas, e também de outros escritores amazonenses como Thiago de Melo e Vera do Val.

“Foi uma experiência muito bonita para mim. Estávamos ali trabalhando com a oralidade e a maioria das histórias que os garotos compartilharam foi a partir da tradição oral que eles cultivam na comunidade”, contou o escritor Jan Santos. “Foi muito bacana ver que o que a gente chama de oralidade é algo vivo e pulsante na vida deles, faz parte do cotidiano”, complementa ele. 

Peça teatral

Além de aprenderam sobre subgêneros literários e exercitarem a produção textual, os jovens também puderam desenvolver a linguagem teatral. Crianças e adolescentes da comunidade Tumbira, na RDS do Rio Negro, em Iranduba, criaram e encenaram uma peça teatral inspirada no livro “A Batalha da Cachoeira do Cipó”, de Vera do Val, utilizando exemplares doados pela própria autora. A escritora Beatriz Mascarenhas, que também é atriz e produtora de um coletivo teatral em Manaus, o Coletivo Mona, participou da ação.

“Eles mesmos foram criando cada cena da peça. Não tiveram falas decoradas, papéis ou textos prontos. Eles tiveram a liberdade total de criar em cima do texto da Vera do Val, falaram o que cada personagem deveria falar de acordo com cada cena”, explicou Beatriz. “Foram muito criativos e também produziram os figurinos, o cenário da peça, tudo tirado de dentro da mata, com folhas e flores para compor as indumentárias. Eles foram muito felizes”, disse ela. 

Os textos literários produzidos pelos jovens durante as visitas vão servir, no futuro, para criar um Banco de Histórias de Vida dos ribeirinhos. “Voltamos com versões aprimoradas de histórias escritas que estão compondo um Banco de Histórias de Vida de jovens ribeirinhos”, disse Pontes.