Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Quer parar de fumar? Pergunte-me como


30/05/2016 às 19:19

Lucy Rodrigues*

Como muita gente, no início da adolescência tive o primeiro contato com amigos que fumavam. Mas o fato de ter um olfato hipersensível, que me fazia espirrar incessantemente ao menor sinal de fumaça, afastou-me do tabagismo. Isso não me impediu de conviver com amigos, familiares e colegas que fumam ou largaram o cigarro. Foram estes últimos, inclusive, que compartilharam comigo suas histórias e a luta para conseguir dar um dos maiores passos a caminho de uma vida mais saudável.  No Dia Mundial de luta contra o Tabaco (31 de maio), considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal causa de morte evitável em todo o mundo,  eu perguntei e esses amigos responderam com dicas e informações preciosas para quem quer parar de fumar. Confira!

 

Suzyanne dos Santos Ramos, 22, publicitária.

 "Fumei durante dois anos e 8 meses, dos 16 até os 19,  direto mesmo. Resolvi parar de fumar por dois motivos: primeiro porque piorou muito minha asma. Tentei dizer que isso era frescura, mas depois de um tempo não deu mais. Depois porque estava gastando muito dinheiro com cigarro. Coisa que hoje em dia acho super sem noção eu ter feito. Gastava uns R$ 27 reais por semana pagando cigarro, sendo que o dinheiro poderia estar sendo útil para outra coisa.  Não foi fácil, comecei pensando 'hoje não vou fumar'. Dois dias depois eu já estava aflita e ia pensando 'Po, fiquei só um dia. Quero mais'. Fui me ocupar, trabalhei mais, estudei mais, namorei mais, comia balinhas e bebi um pouco mais de café pra tentar esquecer a vontade. Já são três anos sem acender um cigarro".

Vantagens: "Muita diferença em questão de saúde, principalmente. Minha pele melhorou, meus dentes ficaram mais brancos, cabelo ficou mais bonito, fôlego que antes eu não tinha tanto, melhorou bastante".

Dica para quem quer parar: "Ter força de vontade e tentar ir levando um dia de cada vez, como se fosse o primeiro dia sem fumar".

 

Renato Moraes, 54, jornalista e empresário 

"Fumei dos 17 aos 30. Fumava pouco, mais socialmente. Daí eu parei uma vez  e fiquei dois anos sem fumar dos 30 aos 32. Naquela brincadeira de dar mais um traguinho para ver como era, acabei voltando  aos 32. Voltei com tudo. Quando bebia então, sentava na mesa de bar tomando uma cervejinha e numa noite  fumava de uma carteira a uma e meia e fui nessa batida até os 40. Foi quando percebi que estava fumando demais e que aquilo iria me prejudicar lá na frente. então resolvi parar. No dia 31 de dezembro de 2001 eu parei de fumar. Não deixei para o dia 1º não. Foi muito difícil no começo porque o ato de fumar tem o lado do vício e do hábito. Aquela coisa de não tá fazendo nada pega um cigarro. Tá com os amigos, pega um cigarrinho...E tem também o vício".

Vantagens: "No paladar, na atividade física. À menor atividade física percebia a diferença. Tudo fica melhor quando você para de fumar. É difícil principalmente no início, mas parece que você vai desintoxicando aos poucos e sentindo menos saudades do cigarro".

Dica: "Minha dica para quem está querendo parar de fumar é não ensaie. Porque quanto mais você vai ensaiando parar mais você vai adiando a decisão. Tem que tomar a decisão e parar. Nada de ensaio. Tem que ir direto pro jogo".

Luciana Ágata, 38 anos, advogada

"Apesar de não ser fumante, convivi com o cigarro muito tempo. Minha mãe, Lourdes Bernardete Ramos, fumou por 40 anos. Ela e quatro dos meus cinco irmãos eram fumantes. É muito triste conviver com um fumante, sofremos muito com isso. A decisão de parar foi dela. Ela resolveu sozinha e não contou para ninguém. Descobrimos quando ela começou a passar mal, teve crises de abstinência e passamos a acompanhá-la e ajudá-la sempre. Fomos a vários médicos, procuramos ajuda e fizemos vários exames para ela ficar mais tranquila. Os médicos indicaram que ela parasse aos poucos, diminuindo gradativamente a vontade de cigarro e bebesse bastante água.  Quando ficava ansiosa comia pipoca e dávamos bastante água para ela. E assim ela parou sozinha, e foi a melhor coisa que já aconteceu na minha família, era um sonho meu, das minhas irmãs e do meu pai que ela largasse o cigarro. Isso era uma coisa que me incomodou muito, minha infância e adolescência.

Vantagens:  "A saúde dela melhorou muito, ela tinha uma tosse horrível, exalava nicotina e era antissocial porque tinha vergonha de ser fumante. Hoje é uma pessoa mais leve, não vive se escondendo".

Dica: Procurar apoio médico e da família.

***

A Suzyanne, o Renato e a mãe da Luciana são três exemplos de que com foco,  determinação e muita força de vontade é possível virar a página do tabagismo e iniciar uma nova história com mais saúde e qualidade de vida. Então,  que tal aproveitar essa data para dar um chute no cigarro e o pontapé para uma nova vida? 
 

 

*A editora do Bem Viver é jornalista há mais de 10 anos e escreve nesse espaço às segundas e sábados.


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