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Renomado violoncelista Gustavo Tavares faz concerto em plena floresta amazônica

27/03/2018 às 15:04
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Por Alexandre Pequeno

Se a Amazônia possui maior biodiversidade do mundo, deve ter também a maior diversidade de sons. A tese do violoncelista Gustavo Tavares - solista da Ópera Nacional da Noruega -, foi comprovada no início da noite do sábado (24), durante um concerto realizado por ele aos pés de uma sapopema de 15 metros de altura na comunidade Tumbira. Na ocasião, a cantoria dos pássaros se misturou com a arte de Gustavo e transformou a floresta amazônica em palco de um grande espetáculo ao ar livre. O show aconteceu em comemoração aos 10 anos da Fundação Amazonas Sustentável (FAS).

Com uma sólida carreira internacional, o violoncelista trouxe um pouco do repertório clássico em um show que foi de Bach a tradicionais cantigas populares como "Se essa rua fosse minha".  “Essa experiência na Amazônia é um tempo especial na minha vida e está sendo muito intensa porque representa um desafio para eu traduzir isso em novos projetos”, defende Gustavo. Mesmo percorrendo diversas cidades do mundo, Gustavo conta que sempre teve vontade de descobrir os sons da Amazônia.

Dotada de uma acústica característica da Amazônia, a sapopema serviu de auxílio para Gustavo potencializar o som de seu instrumento. "Eu ouço a floresta como música também. Quando toco, sinto que os pássaros podem me ouvir e o entorno responde também", disse emocionado.

Gustavo contou que seu instrumento, um violoncelo de mais de 80 anos foi feito no Brasil com madeira oriunda do palco do Teatro Lyrico Fluminense. "Fiquei sabendo também que, supostamente, que o teatro foi construído com madeira das naus que vieram ao Brasil com Dom João VI", explica.

Carreira
Violoncelista e compositor, Gustavo Tavares é Doutor em Música pela “Rutgers University” nos Estados Unidos, e foi aluno de Antonio Janigro e Bernard Greenhouse. Atualmente é violoncelo-solista na Orquestra da Ópera Nacional da Noruega, e trabalha também como professor convidado na Academia Superior de Música de Zagreb, na Croácia, assim como na Universidade de Örebro, na Suécia. 

Descrito pela mídia especializada como “um mestre do seu instrumento” (Vecer Zagreb), “um mago… um artista que consegue o que quer do seu instrumento” (El Diario, San Sebastian), e “um dos mais importantes nomes brasileiros da música erudita contemporânea” (Correio Braziliense), Tavares é reconhecido internacionalmente, apresentando-se como solista e camerista em importantes salas de concerto e festivais, e colaborando com freqüência com músicos como Paquito d’Rivera, Nelson Faria, Mario Brunello e Quarteto Sebastian. 
Como compositor e arranjador, teve o seu trabalho gravado em projetos agraciados com o “Latin Grammy” e estreado em locais como os teatros “La Fenice” de Veneza, “Lisinsky” de Zagreb, e “Alice Tully Hall” no Lincoln Center de Nova York. Em 2014, Gustavo Tavares recebeu o “Brazilian International Press Award” pelo seu trabalho como intérprete e divulgador da música brasileira.