Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Saúde do bebê: Vírus Sincicial Respiratório tem sazonalidade diferente na região Norte


29/01/2017 às 12:05

Rosiel Mendonça*

SÃO PAULO – Quase todos os recém-nascidos terão contato com ele até os dois anos de idade, e os sintomas da infecção são muito semelhantes a um resfriado comum, com o aparecimento de febre, tosse e coriza. Estamos falando do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que pode ser o agente causador de complicações sérias no pulmão dos pequenos, como bronquiolite e pneumonia. 

Os bebês prematuros ou com problemas no coração, no entanto, são os mais expostos ao risco e merecem atenção especial, como destacou o médico Ricardo Gurgel, professor da Universidade Federal de Sergipe, durante evento para divulgar os resultados de um estudo inédito que ele coordenou sobre o VSR no Brasil.

Entre 2012 e 2013, os pesquisadores monitoraram a prevalência dos vírus respiratórios mais frequentes, assim como os fatores de risco associados a eles, em crianças de zero a dois anos hospitalizadas em capitais nordestinas. Os médicos observaram que o VSR é o principal vilão desses pacientes, e foi o responsável por 40,2% dos casos de hospitalização por problemas respiratórios nesse período.

“Esse é um estudo bastante importante, que corrobora o que temos visto na prática - a alta incidência de VSR também no Nordeste, num padrão bastante específico, com início em fevereiro”, afirma o Dr. Ricardo Gurgel.

Segundo ele, o VSR é um vírus sazonal, que circula em determinadas épocas do ano de acordo com cada região. No Norte, o seu pico de incidência é durante a estação das chuvas, a partir do mês de janeiro, apesar de ele não estar relacionado a baixas temperaturas. 

Transmissão

De acordo com o Dr. Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, a transmissão do vírus se dá por meio do espirro, tosse e contato com objetos infectados, inclusive dentro do ambiente hospitalar. 

O diagnóstico é clínico e ainda não há um tratamento específico para o VSR. Por isso, as medidas profiláticas e de imunização são extremamente importantes para os grupos de risco. Dentre as recomendações práticas estão: lavar as mãos com frequência, usar lenços descartáveis nos casos de tosse e coriza, manter a casa arejada e evitar ambientes fechados e aglomerações.

“É importante identificar e dimensionar o problema. Como o VSR não tem um tratamento, apenas um suporte, essa é uma área promissora. Por isso, ter dados sobre a situação do Brasil torna mais factível a busca por ações públicas de prevenção”, disse Kfouri.

Imunização

A imunização passiva contra o VSR é oferecida pelo SUS e segue um calendário nacional estabelecido pelo governo federal. Essa medida protetiva, exclusiva para os grupos de risco, é feita ao longo da estação do vírus pela injeção de doses mensais de Synagis, medicamento de alto custo que contém um anticorpo produzido em laboratório.

O Dr. Kfouri esclarece que a imunização precisa de indicação médica e a primeira dose deve ser administrada antes do início da estação. Segundo o calendário de imunização, na região Norte as doses do anticorpo devem ser aplicadas de janeiro a junho. “Esse método não é o ideal porque é um anticorpo ‘emprestado’, diferente do que ocorre com a vacina, que estimula o corpo a produzir sua própria proteção. Mas temos dados de que a imunização contra o VSR reduz a hospitalização de 50% a 70% dos bebês atendidos”.

De acordo com a coordenadora do programa de imunização contra o VSR da Susam, Dr. Tatiana Carranza, a campanha deste ano teve início no dia 10 de janeiro com os bebês já cadastrados. No Amazonas, o atendimento é realizado em maternidades da capital mediante agendamento prévio. São elas: Maternidade Moura Tapajós (São Raimundo), Instituto da Mulher Dona Lindu (Adrianópolis), Maternidade Balbina Mestrinho (Praça 14) e Maternidade Ana Braga (Coroado).

Dúvidas e mais informações sobre como ingressar no programa podem ser obtidas pelo Whatsapp (92) 98440-3773.

Saiba mais

As sociedades de medicina recomendam a imunização para os bebês prematuros com menos de 29 semanas até o primeiro ano de vida; para os nascidos entre 29 e 32 semanas, até o sexto mês (faixa sem cobertura do SUS, mas disponível na rede privada); e para portadores de doenças cardíacas e pulmonares crônicas até os dois primeiros anos de vida. 

No ano de 2016, 223 bebês foram atendidos no programa de imunização contra o VSR promovido pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

* O repórter viajou a convite da Abbvie, empresa biofarmacêutica patrocinadora do estudo “PREVINE”


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