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Um papo sobre carreira, projetos e indústria musical com Nissin, do Oriente

De passagem por Manaus no último final de semana, Nissin, um dos líderes do grupo de rap Oriente, recebeu o BEM VIVER após o show para uma conversa exclusiva 05/06/2018 às 15:47
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Grupo Oriente se apresentou na capital amazonense no último sábado (2) (Foto: Marcos Hermes)

Por Juan Gabriel

Já era pouco mais de meia-noite quando a Piscina do Tropical Hotel estremeceu. Sobre a estrutura montada sob as águas de uma das áreas de lazer do resort, quatro homens surgiram timidamente acompanhados por um DJ e um guitarrista. A mistura um tanto inusitada para um show de rap pode até ter causado estranheza a ouvidos mais desavisados, mas aos poucos começou a ditar o ritmo que em questão de segundos fez toda a tranquilidade dos músicos se transformar em uma euforia contagiante.

A plenos pulmões, o público manauara gritou, cantou e recepcionou com todo o calor que a Amazônia tem para oferecer o grupo carioca de rap Oriente, um dos principais nomes em atividade na cena do rap nacional e que foi um dos destaques do MedLuau, evento organizado pela M1 Eventos em parceria com os centros acadêmicos de Medicina da capital no último sábado (2). Após o show, o Oriente recebeu com exclusividade o BEM VIVER, que aproveitou para bater um papo descontraído sobre influências, novos projetos e até o atual panorama da música brasileira com Nissin, um dos líderes do grupo. 

Nissin, MC do grupo de rap Oriente (Foto: Divulgação)

A última vez que vocês vieram pra a Manaus foi em 2015 e de lá pra cá muita coisa aconteceu no Oriente. Vocês vinham de um trabalho acústico e agora lançaram o “Ying Yang”. Como que foi pra vocês esse processo de transição?

No caso eu acho que nosso primeiro trabalho, “Desorientado” (2011) foi mais eletrônico, nosso segundo foi mais acústico, e nesse trabalho acho que a gente conseguiu mesclar os dois. Foi só o enriquecimento, o resultado da musicalidade que a gente já estava seguindo.

Quais as referências que vocês trazem pro som do Oriente?

Ah, são muitas referências, música brasileira de qualidade, música marginal, independente de ser brasileiro a gente tem muita referência internacional, são quatro integrantes né, então tem muita variedade aí. Posso botar O Rappa, Tupac, Bob Marley, Rage Against the Machine, Racionais e por aí vai.

O legal do som de vocês é essa pluralidade, traz o reggae, hip-hop clássico, violão, violino. Como vocês enxergam os próximos trabalhos daqui pra frente? Pretendem seguir essa mesma linha ou vão explorar coisas novas?

A gente vai lançar um projeto acústico agora, em breve, esse ano ainda. Vai ser um projeto acústico separado em alguns blocos. Tem participação da Cynthia Luz, De La Cruz, Mariana Nolasco, Pablo do 1Kilo, Choice, tem participação de bastante gente maneira que a gente gosta dessa nova geração aí.

Falando em nova geração, como tu avalia o atual momento da música brasileira?

Existem alguns aspectos, existe o mercadológico e existe o artístico. O Brasil é muito artístico, o brasileiro é muito rico artisticamente, tem muita gente boa de Norte a Sul do país, gente boa em todos os segmentos. A indústria é o outro lado da moeda que nem sempre valoriza a música, valoriza o alcance que ela vai ter e pra mim alcance não significa qualidade. Pra mim, é sempre importante a música estar crescendo. Eu nunca vou ter nada de ruim pra falar da música, vou ter pra falar da política, do quadro social do país, mas quanto a música acho que as pessoas têm que trabalhar e botar pra frente seu sonho.