Sexta-feira, 03 de Abril de 2020

Você sabe como nasce uma startup?

O que aprendi ao participar de um hackathon - uma competição para tirar uma ideia do papel e criar uma startup


18/02/2020 às 18:07

Há um tempo já escrevo sobre o universo da tecnologia, empreendedorismo digital e startups. O vocabulário já me é familiar. Mas novas experiências sempre nos acrescentam mais conhecimento. E aprender é o que mais amo fazer!

Por isso, na última semana tive a oportunidade de participar de um hackathon. Pra quem não sabe é um evento que funciona como uma maratona de conhecimento e programação. Geralmente dura um final de semana, quando os participantes assistem palestras e depois põem em prática o conhecimento adquirido em grupo, tendo o propósito de criar uma startup e apresentar uma ideia de negócios aos avaliadores.

A minha experiência foi no Educkathon Manaus, um hackathon com a temática de educação, que foi realizado no Manaus Tech Hub, um espaço dedicado a apoiar a inovação e a tecnologia na região. O Educkathon foi patrocinado pela Softex Amazônia, pela Positivo Tecnologia (que tem fábrica em Manaus) e pela Mindcet, uma aceleradora de negócios de Israel que trouxe um time direto do deserto do Neguev pra compartilhar conosco a mentalidade empreendedora daquele pequeno e poderoso país.

Me inscrevi como curiosa mesmo, sem qualquer certeza de que poderia conseguir a vaga. Algumas palestras foram em inglês, oportunidade pra praticar o idioma com o time da Mindcet.

No primeiro dia, assistimos a palestras e tivemos que formar times com 5 pessoas, que precisavam ser de diferentes áreas. Daí a chance de conhecer gente nova. Foram constituídos 10 grupos.

Recebemos no auditório uma lista com com 13 desafios que a educação brasileira enfrenta e tivemos que votar em 3 deles. Os 3 problemas mais votados pela plateia seriam distribuídos aleatoriamente aos 10 grupos. 

Trabalho em time

Me integrei a um time com 4 rapazes: o Flávio, estudante de engenharia de computação; o Brígido Neto, um engenheiro de produção; o Daniel, um designer; e o Jodson, um cientista da computação. Cada qual com sua respectiva bagagem que ajudou a fazer a engrenagem funcionar! Aprendi muito com cada um!

Recebemos o seguinte “desafio” da área de educação (temática do hackthon): os professores não são capacitados tecnologicamente para acompanhar o desenvolvimento da nova geração de estudantes.

A partir daí, aprendemos sobre metodologia de negócios, como a ferramenta Canvas, e tivemos que colocar tudo no  papel. Éramos acompanhados pelos mentores para saber se a ideia estava evoluindo. 

Desenvolvemos uma solução tecnológica chamada I.T.eacher: uma plataforma de ensino à distância (EaD) - site e app - para capacitar professores com as ferramentas da educação 4.0. O objetivo é que estejam preparados para lecionarem aulas mais dinâmicas e interativas e acompanharem as necessidades dos alunos de hoje.

Dei suporte no marketing e conteúdo do site, enquanto dois programadores trabalham no sistema, o designer criou a identidade visual e o engenheiro com experiência em educação trazia sua vivência para o negócio.

Além da plataforma, era necessário apresentar o nome da startup, uma logomarca, um slogan. Tudo dentro de um modelo de negócio escalável (que possa crescer) e rentável. Ufa! Foi trabalhoso, mas muito proveitoso.

Você aprende a trabalhar em equipe e somar conhecimento. Aprendi a desenvolver um negócio em dois dias e sem qualquer experiência na área. Eu era a única não-técnica da equipe e uma iniciante em hackthon.

Ao final do segundo dia, já estávamos com tudo pronto para apresentar o pitch em 3 minutos. O pitch é uma apresentação breve e direta com objetivo de vender sua ideia para os possíveis investidores. Nesse caso, o time da Positivo, Softex e Mindcet foram os nossos avaliadores.

O feedback foi ótimo e nos deixou super satisfeitos. Não ganhamos a competição, mas a jornada valeu a pena. Eu ganhei experiência, novos conhecimentos, networking e ideias de pauta (como boa jornalista que sou)! Afinal, sob pressão, tudo funciona! 

Maratonas temáticas

Por meio de eventos como esse é que nascem ideias inovadoras Os hackaton’s podem ser temáticos. No ano passado, vários eventos como esse ocorreram em Manaus:

-Em fevereiro, o Global Legal Hackathon Manaus, com apoio da OAB-AM, trouxe soluções inovadoras para o meio jurídico; 

-Em maio, a Prefeitura de Manaus coordenou o Maratona Hackathon, a fim de apoiar ideias inovadoras para o segmento de mobilidade urbana e saúde;

-Em outubro, a Nasa realizou aqui o Nasa Space Apps Challenge, focado em soluções para a ciência; 

-Em dezembro, o Human Hack Fest, foi o primeiro 'hackathon' humanitário do Brasil, promovido pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), com foco na questão dos refugiados e imigrantes;

Uma startup nasce diante de um desafio a fim de resolver algum problema presente na sociedade através da tecnologia. A ideia pode surgir numa situação de estresse, num bate-papo entre amigos ou mesmo num hackthon. O mundo está cheio de desafios e o que não faltam são ideias brilhantes para solucioná-las!


Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.