Sábado, 18 de Setembro de 2021

Amazônia e o sentimento de liberdade

Respostas de índios, quilombolas e ribeirinhos sobre "O que é liberdade?" estão sendo dadas secularmente e viajam mundo afora, mas não são ouvidas.


A palavra Liberdade vem sendo associada a um nacionalismo que a limita e a deixa rasa. Longe da profunda significação que é o sentimento humano em busca do seu eu e da harmonia com o outro, Liberdade é motor contínuo e não o livrar-se de algo ou de alguém. Na busca do sentimento real de liberdade, há de se perguntar como se pode desejar,no/Brasil, um patriotismo real sem considerar a Amazônia a partir da sua diversidade e complexidade, principalmente a partir dos povos que nela vivem?

A Amazônia já é casa da Liberdade e como tal não pode ser entendida por conceitos artificiais de liberdade da hora, por exemplo: retirar indígenas e ribeirinhos da incivilização e integrá-los como apregoa o nacionalismo brasileiro. Perguntaram aos indígenas, quilombolas, ribeirinhos o que é Liberdade? O que eles entendem por desenvolvimento? Quais são as riquezas da Amazônia na visão deles?

As respostas deles estão sendo dadas secularmente e viajam mundo afora, mas não são ouvidas. Tornam-se música, poesia, livros, nunca realidade. Mostram-se para serem conhecidos, mas, mesmo os vestidos com elas não são vistos. Como pode existir um projeto nacional para a Amazônia se a elite não reconhece os indígenas como povos originários e com muito a contribuir com uma nação que quer fazer luz no caminhar das liberdades.

Há de se ter um esforço para conhecer melhor os povos da Amazônia e colocá-los como protagonistas de projetos nacionais que tenham ingredientes capazes de envolver o Brasil todo e realizar mudanças efetivas. A compreensão de que mais vale a floresta em pé e que se deve agir de forma sustentável para explorar os bens e serviços ambientais deve sair dos hologramas e ser a fórmula orientadora dos diálogos e não servir de retórica nas tribunas parlamentares ou nos gabinetes oficiais. 

A liberdade no nacionalismo hoje predominante no poder significa dinheiro (sempre mais) sexo (agendado e sem limites) e destruição (destruir o adversário e depois inventar outros). Destruir tudo que for pensamento que não seja o seu. Aqui a insensatez, a ignorância e um profundo auto-desprezo (não percebido) vigoram nas elites do poder, suprimindo a oportunidade de experimentar vidas diferentes, neste caso, vida amazônica.

O projeto vigente é o de destruir os povos ribeirinhos, indígenas, quilombolas e tantas pessoas dos mais diversos segmentos socioculturais, econômicos e científicos, O que deve ser enfrentado e desconstruído pela raiz é o egoísmo, a ganância e a ignorância com o objetivo de construir uma nova consciência. Nesta consciência reside o caminho para entender que na Amazônia não se fabrica liberdade como aquela produzida pelas elites e governos atuais. Esta é aprisionamento.

Quando a Amazônia entra em questão se faz urgente pensar e agir numa alfabetização em massa para que possamos compreendê-la; saber da importância de observar o regime das águas, o entrosamento dos rios com as florestas, conhecer o pensamento dos indígenas, ribeirinhos, quilombolas; ouvir e apoiar a comunidade científica, formando  consciência ecológica e sustentável. Isso é liberdade.

 

A imagem que ilustra este artigo é de Matheus Alves / @ineditabrasil


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