Domingo, 09 de Maio de 2021

Direitos indígenas violados e genocídio no AM

Mobilização virtual em defesa da vida e da existência dos povos originários começa amanhã


Milena Kokama é sobrevivente teimosa. Vítima de ameaças de agressões físicas e de morte, morou em diferentes habitações por meses, ora em Manaus ora em outras cidades. Em março deste ano, ao contrair dengue e Covid-19, sentiu mais uma vez a vida por um fio, durante muitos dias.

Sobreviveu. Está em recuperação e retomando a militância em defesa da garantia dos direitos indígenas e da sua gente Kokama. Caberá a Milena abordar, na manhã de 29 de abril, as mortes em série de indígenas Kokama na Região do Alto Solimões, na tríplice fronteira Brasil/Colombia/Peru. Situação que ela acompanhou de perto.

A fala de Milena ocorrerá na mesa “Depoimentos e relatos sobre violações de direitos humanos indígenas no Amazonas”, no primeiro dia da mobilização virtual Abril Indígena - Violação dos direitos e genocídio no Amazonas.

Serão abordadas as graves ameaças aos índios autônomos, livres ou isolados do Vale do Javari – Kora Kanamari. Líderes indígenas do Sul do Amazonas apresentarão o processo de genocídio do povo Juma com a morte por Covid-19 do último homem Aruká; Os de Maraguá e Mundurucu, de Nova Olinda do Norte, trarão relados do massacre de indígenas e ribeirinhos no rio Abacaxi, Amazonas, em agosto de 2020; um quadro sobre as invasões sistemáticas de garimpeiros na Terra Indígena Yanomami será apresentado por José Mário Yanomami, Coordenador da Associação Yanomami do rio Cauaburis (Ayrca).

Os saterês irão tratar das invasões por madeireiros em suas terras e do abandono a que estão submetidos por parte do poder público do município de Maués. Caberá à Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime) expor as violações de direitos na saúde indígena, como a da exclusão de indígenas residentes em contexto urbano da prioridade de vacinação anti-Covid. O Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (FOREEIA-AM) irá demonstrar como direitos na educação indígena estão sendo sistematicamente violados, entre os quais a exclusão nos currículos das línguas, dos saberes indígenas e de professores de línguas e de culturas.

Organizada pelo FOREEIA, a Frente Amazônica de Mobilização de Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI) e Acampamento Terra Livre (ATL), com apoio da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA), a mobilização faz parte do ‘Abril Indígena’. O movimento reúne, anualmente, centenas de representantes dos povos indígenas, no ATL, em Brasília, numa grande mostra das lutas, das culturas e das artes indígenas e na entrega de reivindicações às autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A pandemia da Covid-19 impediu os dois últimos acampamentos, realizados virtualmente. Na manhã do dia 30 de abril, o tema “Violações dos Direitos Humanos Indígenas e genocídio” será debatido em duas mesas.


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