Sábado, 19 de Junho de 2021

Leigos e leigas desafiados

Passa pelas mãos dos jovens o carregar da matéria-prima que erguerá outra Igreja e outras relações de poder nela.


Existe uma missão própria do leigo e da leiga no micro e marco ambientes da Igreja Católica. São milhares de homens e mulheres envolvidos no laicato e responsáveis direto pela vida da Igreja. Trata-se de força de longo alcance capaz de mobilizar ou desmobilizar em um território de relevante relação de poder sob a bandeira da fé.

Na última semana, entre os dias 3 e 5, mais de 200 delegados de todas as regiões brasileiras participaram, remotamente, da 39ª Assembleia Geral Ordinária do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), instância vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Animados, em parte, pelo entusiasmo recorrente do Papa Francisco sobre a atuação dos leigos e leigas – “realizam uma tarefa imensa acompanhando e promovendo os excluídos de todo o mundo”, mostrando-se convencido de que a cooperação amistosa com os movimentos populares pode robustecer estes esforços e fortalecer os processos de mudança” – os representantes do laicato encerraram o encontro sinalizando com a disposição de enfrentar os desafios.

Dentro da Igreja conquistar espaços para o agir e para além dela “ser sujeito em ação na sociedade” como guardiões e guardiãs da esperança, de acordo com o presidente da Comissão do Laicato no CNLB, D. Giovane Pereira de Melo: “não devemos ignorar o luto, a dor das famílias, e sim ser solidários com elas, escutar e rezar com elas”. O sacerdote situa a ação leiga como um “abrir janelas”, “inaugurar novas perspectivas, valorizar a Igreja doméstica sem se fechar nela e, sim, ir ao encontro do outro no mundo”.

Passa pelas mãos dos jovens o carregar da matéria-prima que erguerá outra Igreja e outras relações de poder nela. Entre o saldo da 39ª Assembleia, dois deles poderão assegurar reais avanços na atuação da Igreja. A adoção de um programa de formação contínua para o laicato e a atuação deste junto aos movimentos socais.

Representante do Nordeste 2 junto à CNLB, Paulo Ricardo Sampaio, 23, deu o tom da vontade de parcela expressiva dos leigos em estabelecer outros parâmetros na atuação do laicato: “nós, os jovens, não somos o futuro, somos o presente, o hoje e o agora”. E com essa disposição, sem desconhecer os enfrentamentos estruturais internos, que Paulo Ricardo apresentou pistas da ação como fortalecer laços com outros movimentos, como o estudantil ou recriar laços desfeitos.

Os leigos e as leigas saem desse encontro com a informação de que não devem ficar parados e aceitar concessões que o clero queira lhes ofertar e sim conquistar os espaços. O pós-assembleia tem um caminho aberto e percorre-lo dependerá, em muito, do tamanho da disposição e do perfil de laicato no Brasil tanto o urbano quanto o do campo. Se for para substanciar o tema dessa 39ªassembleia – “cristão leigos e leigas em missão: respondendo aos novos desafios” – tem bom e árduo trabalho para começar já. Mudar o papel de tarefeiros dentro do espaço eclesial e tomar lugar na tomada de decisão.


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