Quarta-feira, 03 de Junho de 2020

Marcas do andar da Ciência

A ciência necessita da democracia para respirar e se manter dignamente viva, reafirmando o compromisso de produzir conhecimento para a construção do bem-viver.


A Marcha pela Ciência, nesta quinta-feira (7 de maio) irá estabelecer parâmetro novo à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), promotora do ato. A ideia de marchar abriga a imagem de deixar marcado e de seguir em frente.

A SBPC, sob a gestão do físico Ildeu de Castro Moreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em meio da primeira pandemia do Século 21, faz um giro ampliado no seu modo de ser. Exatamente no tempo do maior isolamento social contemporâneo, os cientistas de diferentes áreas do conhecimento saem às ruas virtuais para conversar sobre ciência e promover a marcha.

Ferramentas tecnológicas estão sendo operacionalizadas a fim de garantir a realização de atividades em todos os Estados brasileiros. São temas relacionados a este cotidiano de COVID-19 e os impactos produzidos pelo novo vírus ao indivíduo, às famílias, aos povos e à economia globalizada.

Há um esforço histórico dos componentes da SBPC em retirá-la das salas fechadas, dos parques limitados a uns poucos e se colocar cada vez mais entre a população, ser reconhecida e lembrada como parte dela. A 61ª Reunião Anual da organização, ocorrida de 12 a 17 de julho de 2009, no Campus da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus, é um desses memoráveis desafios. Há 11 anos, pesquisadores, professores, estudantes do ensino fundamental, médio e universitário, representantes de movimentos populares, dos feminismos e dos povos indígenas encontraram-se em dezenas de debates das ideias desdobradas do tema “Amazônia: Ciência e Cultura”.

É um reencontro. A marcha deste dia 7 preenche o espaço da 72ª Reunião Anual deste ano transferida para outra data, em respeito à orientação de que permaneçamos em casa, e cujo tema é “Ciência. Educação e Desenvolvimento Sustentável para o Sec. XXI”.  Aquece os passos dos caminhantes para quando o encontro acontecer rememorar em carne e osso e sangue nos olhos aquilo que ora é registrado individual e coletivamente: um vírus em ação capturado por outros vírus encrustados nos gabinetes governamentais, nos conglomerados econômico-financeiros, midiáticos e religiosos a serviço do neoconservadorismo.

A marca dessa marcha que é um gesto concreto do Pacto pela Vida está impressa. A ciência necessita da democracia para respirar e se manter dignamente viva, reafirmando o compromisso de produzir conhecimento para a construção do bem-viver. Atacados e violados pelos ditadores de agora, por seus seguidores e pelos incrédulos, os cientistas se posicionam diante da humanidade em agonia. Para quem fazemos ciência? Os aplausos, as cantorias, a profusão dos "muito obrigado" são elementos do elo desse reposicionamento.

O neoconservadorismo, baseado na supremacia norte-americana é traduzido no Brasil entre outros elementos, pela postura obsessiva da ordem, da segurança, prevalecendo acima do direito; pelo ataque sistemático até à demolição da ideia de combinar universalismo e pluralismo; reducionismo do debate político. Esta Marcha da Ciência carrega o diálogo, a esperança e respeito como instrumentos do manejo cientifico para enfrentar a roupagem que veste o autoritarismo e alimentar a continua obra de um outro mundo possível.    


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