Terça-feira, 24 de Novembro de 2020

Uma Manaus doente, triste e violenta

Ser vereadora, vereador é participar de uma instância de poder valiosa e estratégica no agir municipal, na modelagem da cidade que se quer.


O domingo – 15 de novembro – marca novo encontro entre eleitores e urnas. Motivo de alegria, sim, afinal, quando uma nação pode exercitar o direito de votar confirma um dos atos pelos quais a democracia se expressa. A redemocratização do País é processo recente, entre erros e acertos, está sendo apreendida pelos cidadãos e a defesa da democracia vem sendo ampliada nesses 35 anos de existência.

Os pregadores do retrocesso criam armadilhas, produzem factoides e esbanjam truculência – dado comum a essa turma, seja no Brasil ou em outro país. Se aninham em torno de líderes tóxicos. Sentem-se realizados ao produzir diferentes formas de morte daquelas e daqueles que, na percepção desse grupo, ameaçam seus interesses, expõem os riscos do totalitarismo e denunciam condutas arbitrárias.

Experimentamos hoje a convivência com o autoritarismo que escancara o quanto o modus operandi autoritário/conservador está entranhado nas instituições brasileiras de várias ordens. Na mídia do País. Nesse tempo, a cada amanhecer, brasileiros deparam-se com arranjos feitos na calada da noite para suprimir direitos. Parcela da população tem a sensação de conviver com o fantasma do passado, voraz e bestial, pronto para atacar e tomar conta de Norte ao Sul do Brasil. A vigilância pela vigência e melhoria da democracia pede mais atenção.     

Votar é uma das maneiras de o cidadão expressar o posicionamento. Os votos, na perspectiva de serem livres, desenham mapas comportamentais de uma nação e, principalmente, outorgam mandatos para que os eleitos cumpram tarefas fundamentais como representantes da sociedade em cargos do executivo e do legislativo. Há problemas na qualidade da representação, desfigurada e fragilizada em função dos descaminhos feitos. As eleições podem ser um dos espaços por onde o tratamento da democracia é aplicado.

Quem são esses homens e essas mulheres que se apresentam como candidatos e pedem nossos votos? Qual é o histórico de vida dessas pessoas? Que tipo de proposta nos apresentam por meio do horário eleitoral? Qual cidade pode ser rascunhada a partir das ideias de programa, por exemplo, para Manaus?

Na maioria das inserções feitas, candidatos a prefeito da cidade se repetem na produção de um imaginário da Manaus doente e que permanecerá doente para receber as pessoas doentes. Na Manaus armada de revólveres com meio de resolver a violência urbana. Na Manaus em papel mendicante, assujeitada, dependente. Os programas, em boa parte, desenham uma Manaus menor, encolhida, triste, opaca. Ignoram o vigor das mulheres e de suas lutas no cotidiano da cidade, das juventudes pluriétnicas habitantes deste lugar, dos sonhos sonhados por adultos e os mais velhos. Ignoram o potencial das crianças e não dão lugar de escuta à Natureza que se faz guardiã fundamental, se assim for compreendida. Nós necessitamos dela para ampliar o equilíbrio das coisas. 

Quem são as candidatas e os candidatos a vereador de Manaus? Qual é o compromisso deles com o município? Com uma Câmara Municipal que não fuja da luta, não estreite a porta para os cidadãos e se confirme comprometida com o diálogo entre os diferentes?  Ser vereadora, vereador é participar de uma instância de poder valiosa e estratégica no agir municipal, na modelagem da cidade que se quer. A que queremos é inclusiva, socioeconomicamente justa, acolhedora, criativa e profundamente vinculada à Natureza da qual é filha. Antes de votar pense, com afeto, sobre a cidade em que mora, a Câmara Municipal e os seus 41 membros, o voto e a mudança que quer fazer.


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