Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Parto Ecológico


10/02/2020 às 09:30

O Parto Ecológico

Quem assistiu ao filme “Minha mãe é uma peça 3”, em que a personagem Marcelina se descobre grávida, pode escutar o termo “parto ecológico”; quando, em um exame de ultrassonografia, a personagem questiona a médica sobre a possibilidade de realizá-lo.

E então, viemos aqui esclarecer algumas coisas, o termo “parto ecológico” veio do Congresso Internacional Ecologia do Parto - Uma Celebração da Vida, ocorrido em 2002 na cidade do Rio de Janeiro, que contou com a participação do médico francês Michel Odent.

Ecológico não é uma categoria de parto, assim como humanizado, que algumas pessoas associam aos nascimentos na água ou em casa, por exemplo.

Pensando um pouco sobre autonomia, vamos pontuar sobre a posição que Marcelina pariu, posição de litotomia (deitada). O Ministério da Saúde, ainda em 2017, lançou as “Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal” e deixou bem esclarecido que “Deve-se desencorajar a mulher a ficar em posição supina, decúbito dorsal horizontal, ou posição semi-supina no segundo período do trabalho de parto. A mulher deve ser incentivada a adotar qualquer outra posição que ela achar mais confortável incluindo as posições de cócoras, lateral ou de quatro apoios”. Assim como o Brasil, a própria Organização Mundial de Saúde orienta que a mulher deve ser encorajada a outras posições, para fugir da posição supina (deitada).

Mas por que? Vejam só:

1.            Essa posição favorece apenas a visão do profissional de saúde que está assistindo e não favorece à mulher.

2.            A mulher pode sentir que as contrações ficarão bem mais doloridas;

3.            A saída do bebê está indo contra à força da gravidade, que puxa para baixo, portanto, o expulsivo pode demorar mais;

4.            Aumentam as chances de lacerações no períneo

5.            Aumentam as chances do bebê entrar em sofrimento fetal pela compressão da veia cava.

6.            A mulher perde grande parte da sua autonomia, pois não vai poder movimentar-se à vontade.

Continuando a observar a cena do nascimento, vemos que o médico ordena que a personagem faça força, e isso se chama “puxo dirigido”; que é quando o profissional da saúde, no momento da contração, ordena que a mulher faça força longa, com os comandos: “Mãezinha! Prenda a respiração e faça força compriiiida! Força de fazer cocô”. Ocorre que as mulheres nem sempre obedecem, por vezes se irritam e acabam gritando no momento da contração, fazendo com que o profissional exija, de forma cada vez mais ríspida e rude, que a parturiente obedeça aos comandos dirigidos, na tentativa de fazer diminuir o período expulsivo do parto e assim o ambiente de parto vira um campo de batalha, em que todos estão contra a grávida.

Ocorre, todavia, que já existem estudos concluindo que não existem evidências científicas para refutar ou suportar o método do puxo dirigido, mesmo que a paciente tenha recebido epidural, ou seja, anestesia. Logo, é evidente que tais comandos não surtem o efeito desejado, tornando apenas o momento do nascimento mais violento e desgastante para todos os envolvidos.

Portanto, Parto Ecológico ou Humanizado é aquele parto que tem como base o protagonismo da mulher durante o processo de nascimento, evitando intervenções desnecessárias e respeitando o desejo da mulher.

 

Fonte:

Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_nacionais_assistencia_parto_normal.pdf

Sobre os puxos dirigidos: Lemos A, Amorim MMR, Dornelas de Andrade A, de Souza AI, Cabral Filho JE, Correia JB. Pushing/bearing downmethods for the second stage of labour. Cochrane Database of Systematic Reviews 2017


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