Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Do jornalismo à jardinagem

Me matriculei em um curso básico de jardinagem aos sábados, com o objetivo de ajudar as minhas plantas a encontrarem a felicidade. Mas...acreditem...quem encontrou a felicidade fui eu!


08/11/2019 às 19:24

Quanta alegria conversar com vocês pela primeira vez aqui no Portal A Crítica! Aliás, tenho muito carinho pela Rede Calderaro de Comunicação, pois foi neste Grupo que vivi alguns dos anos mais felizes e intensos da minha vida profissional na função de repórter de TV. Trabalhei no programa Magazine por quase cinco anos, e viajei por todo o Amazonas e parte do Brasil produzindo e realizando matérias ligadas a meio ambiente, tecnologia, moda, culinária e turismo. Até lancei um livro em conjunto com duas amigas jornalistas chamado, Jornalismo: Glamour ou Ralação?

Contudo, a nossa vida é feita de ciclos, e depois de alguns anos que eu já havia encerrado o meu ciclo na TV A Crítica, fui morar em Curitiba; cidade de belos jardins, com parques e bosques incríveis. E foi lá, na capital mais florida do Brasil (e mais fria também) que descobri a jardinagem. É essa estória que conto a seguir.

Me mudei para uma casa com um jardim grande, todo gramado, com frutíferas e plantas ornamentais. Contratei um jardineiro para realizar a manutenção do jardim, pois não entendia absolutamente nada de plantas. Ao longo do tempo, percebi que a grama estava ficando amarelada e as plantas estavam sem viço, na verdade elas não estavam felizes. Não tive dúvidas e me matriculei em um curso básico de jardinagem aos sábados, com o objetivo de ajudar as minhas plantas a encontrarem a felicidade. Mas...acreditem...quem encontrou a felicidade fui eu!

Boa parte dos meus finais de semana passaram a ser dedicados à jardinagem e às minhas filhas (que também iam para o jardim comigo). Emendei vários cursos na área, e os caminhos da minha vida me levaram à jardinagem ecológica. Enquanto eu aprendia a arte da jardinagem e do paisagismo com grandes professores em Curitiba, São Paulo e no Rio Grande do Sul, fui transformando o meu jardim interior em um lugar muito especial. A sensibilidade das plantas promoveu em mim uma importante revolução interior. Passei a me alimentar de forma mais natural, privilegiando vegetais e frutas. Me percebi conectada à natureza como nunca antes – tinha finalmente encontrado a minha vocação. A minha missão.

E o jardim da minha casa? Ah, esse estava também sendo reformado: construí uma horta, composteira, melhorei o pomar, criei um canteiro lindo com bromélias, tudo com manejo orgânico; e fui deixando, aos poucos, o meu jardim interior e exterior, mais biodiverso e feliz. Percebi, observando o movimento dos bichinhos que ali habitavam, e na beleza das plantas, que a felicidade está nas coisas simples da vida. Está na borboleta ou beija-flor, que pousavam nas lavandas e gerânios que perfumavam os canteiros. Nos temperos que colhíamos na horta para deixar o alimento mais saudável e saboroso. Nos chás que fazia a base das plantas medicinais cultivadas no quintal da minha casa.

Nessa época, trabalhava em uma empresa de engenharia de telecomunicações com projetos de sustentabilidade e marketing, que me inspirou, cada vez mais, a ter um estilo de vida conectado às boas práticas socioambientais. Mas eu queria mais. Queria seguir os caminhos do meu coração. Foi então, que nasceu o Jardim da Marilua, inspirado em um estilo de vida mais conectado com o Reino Vegetal. Naturalmente, a transição de carreira foi acontecendo, e passei a organizar um curso aqui outro ali para os amigos, a levar para Curitiba professores que eu admirava para realizar vivências, a construir canteiros e hortas na escola da minha filha, a experienciar a jardinagem no meu dia a dia como filosofia de vida.

Foi então que mais uma grande mudança aconteceu: engravidei da minha terceira filha e decidi morar na Mata Atlântica, em São Paulo. Enquanto escrevo esse texto, estou sentada em frente ao computador, olhando pela janela da sala e vendo uma imensidão verde inundar o meu coração de amor. Estamos morando no Sítio Gramado, localizado na cidade de Juquiá, no Vale do Ribeira. Aqui, cultivamos nosso próprio alimento nos canteiros que meu marido e eu construímos. Acabamos de plantar milho, mandioca, feijão e abóbora para colher no final do ano. Vamos ter feijão orgânico nas festas de fim de ano! Sem falar nas plantas alimentícias não convencionais (PANC) e nas plantas medicinais que eu amo! Aliamos o trabalho no sítio com nossos projetos de paisagismo e jardins produtivos - tudo aquilo que sempre acreditamos que valeria a pena viver, e realizamos cursos de jardinagem e paisagismo Brasil afora.

Eu sei que esse primeiro texto foi um textão. E nem sempre será assim, prometo 😊. É que jornalista gosta mesmo de contar histórias. Então, vou me despedindo por aqui, certa de que nos encontraremos em breve, pois agora, além de jornalista e paisagista, sou também colunista deste lindo Portal!

Gratidão define tudo!

Marilua


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