Publicidade
Blogs

O melhor do objetivo é o caminho feito para alcancá-lo

09/01/2019 às 07:00
Show blog 8989c90e 3c7b 45e8 928f b663669694af

O ano de 1986 ficou marcado por uma visita ilustre ao nosso planeta Terra, o Cometa Halley. Descoberto pela astrônomo britânico Edmond Halley, o corpo celeste costuma dar seus ares em nosso planeta a cada 76 anos. O fato agitou o mundo inteiro e, principalmente, nosso país. Sua possível visualização a partir de certas regiões brasileiras, sobretudo no nordeste, permitiu a promoção de inúmeros encontros noturnos tendo em vista testemunhar seu esplendor. Em que pese este astronômico interesse, o fato é que algumas crianças são filhas de muitos destes.
Também era comum a realização de entrevistas especiais sobre o famoso corpo celeste. Em uma delas, Caetano Veloso, ao lado de sua mãe, Dona Canô, que nascera em 1907, três anos antes da última passagem do cometa, em 1910, ouviu a seguinte pergunta: “Como vocês esperam ver o Cometa de Halley?” Dona Canô não titubeou e respondeu: ‘Vivos’. No alpendre de sua casa, em Fortaleza, meu avô Felipe, também nascido, assim como Dona Canô, em 1907, em conversa com meu tio Evandro, afirmou que não iria ver o cometa. Por já ser quase octagenário, presumindo algo obscuro naquela afirmação, meu tio o retrucou:”Que é isso ‘Seo’ Felipe, o senhor vai viver muito ainda”. Meu vô foi rápido na resposta: “Mas quem está falando que eu não vou estar vivo durante a sua passagem? Só não irei ver o cometa porque costumo dormir cedo, e ele deve passar muito tarde. Estarei ‘vivíssimo’”. Meu tio suspirou aliviado. Em que pese a cobertura global dado ao ilustre visitante, o fato é que foram poucas as pessoas que realmente conseguiram avistá-lo. As noites nebulosas impediram “o espetáculo” de sua passagem. Questionados sobre se tinha sido válida apenas a vigília, a grande maioria das pessoas se regozijou a afirmar que sim, possivelmente embriagados pela valia do dito “a melhor parte da festa é o preparativo”. Muitos já até anteciparam o desejo de estarem por aqui em sua próxima visita prevista para 2062.
Um novo ano aparece diante de nós de maneira bem mais frequente que o Cometa Halley. A cada 365 dias, a cada quatro anos, após 366 dias. Ainda assim a ansiedade que ele nos traz permite que muitos possamos crer que tudo poderá ser diferente. Já para outros, que coisa alguma mudará. Os extremismos tendem pontuar as posições mais marcantes e acabam por definir aqueles que comungam delas, como otimistas ou pessimistas. Os primeiros costumam acreditar plenamente nas realizações boas e concretizações felizes. Os seguintes nos fracassos e tristezas. Ainda que as cores do realismo queiram definir a melhor posição onde se situar nesta régua, é inegável que um deles significa o primeiro passo em prol do alcançar nossos intentos, já o outro sinaliza, talvez, o maior obstáculo aos objetivos traçados. Ser um ou outro, no entanto, não irá garantir onde iremos ou não chegar. Ainda assim, uma questão de escolha.
Assim como aconteceu com o Cometa Halley em 1986, os objetivos sorrirão não necessariamente para aqueles que conseguirem alcançá-los, mas sim aos que melhor aproveitarem dos preparatórios para abraçá-los. Cada passo, um aprendizado. Uma nova oportunidade para fazer melhor da próxima vez, que se inicia tão logo encerramos um ato. Parar apenas se for para tomar fôlego para seguir em frente com uma vontade ainda maior. Aproveitar o caminho ao longo do ano será o maior conquista. Que tenhamos um ótimo trajeto.