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Um dia, aprendemos... e que venha um novo ano

Ao final de um ano, ao olharmos para trás e vermos tudo o que vivemos, certamente muitas vitórias poderão ser resgatadas. Ainda assim, às vezes não as damos o devido valor. Algumas derrotas parecem enraizadas em nossos corações e mentes. Tantas vezes as tornamos tão mais intensas do que realmente são. Outras vezes, elas realmente são definitivas. Sejam quais forem, todas são decisivas para que possamos viver um momento único, o atual. Se para alguns, o ano novo significa apenas uma mudança de unidade, para aqueles que queremos persistir na construção e perpetuação de um caminho de amor, mais uma oportunidade que se inicia a todo novo raiar do dia. Desejo para você, seus familiares, entes e amigos, o melhor Natal que sua crença permita ter e um Ano de 2019 de sonhos, saúde e realizações plenas. 02/01/2019 às 09:05 - Atualizado em 02/01/2019 às 09:22
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Fortaleza, dezembro de 1984... 
Para ser mais exato, sítio dos meus avós no bairro da Vila Manoel Sátiro.
Na sala, uma ‘ruma’ de gente interagindo em um sempre barulhento jantar de família.
Ao sair para o alpendre, avisto meu avô sentado próximo a enorme acácia amarela.
Apesar da escuridão, as luzes coloridas de Natal tornaram nítida sua imagem.
Se bem que seu ruidoso radinho de pilha também o fizera inconfundível.
Ao notar ser observado ele soprou: “Vem cá Junior, se aprochegue”.
Sentei em uma das imortais cadeiras de balanço que completava o cenário.
Meu vô parecia estar atento ao programa que escutava.
Para mim, apenas uma voz cansada e tagarela.
Após minutos sem trocar palavras, o jeito foi passar a prestar atenção no narrador.
Com uma voz embargada, ele exaltava a felicidade de estar próximo a um novo ano.
“Vô, ele não parece estar muito contente” comentei.
Com um sorrisinho vira-lata, ele continuou quieto, atento ao narrador.
“Ops...” pensei eu, já preocupado se tinha falado algo errado.
Quis sumir... 
Ao notar minha intenção de me levantar, meu vô desligou o rádio e se dirigiu a mim.
“Junior, nem sempre encontraremos a verdade nas palavras que escutamos, tampouco nas atitudes que presenciamos. Ainda assim, temos que, ao menos tentar nos apegar há algo de bom, e nem tão bom assim, em tudo o que vivemos. A menor coisa que seja, ela já irá nos ajudar, e muito, a seguir em frente.” 
Com olhares de susto, confesso que pouco entendi. 
Não mais trocamos palavras.
Em seguida, ele finalizou: “Um dia, você entenderá...”