Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Mãe é mãe, solteira é estado civil

A gente sabe que mãe é mãe e não estado civil, mas boa parte da sociedade (a parte hipócrita) prefere mil vezes um casamento de fachada onde o casal se suporta e o pai não move uma palha para ajudar com os filhos a encarar uma mãe solteira feliz com seus rebentos. Mas as mães solteiras, na maioria também, são muito bem resolvidas e encaram com um sorriso esses olhares desconfiados. Ou de pura inveja....


29/06/2016 às 16:19

Liège Albuquerque

Tenho uma jovem amiga separada há dois anos, exato tempo em que a filha começou na escola, que não quer de jeito nenhum que saibam que ela é mãe solteira. “Eu mesma tenho preconceito, mesmo sabendo que não é culpa só minha do casamento ter falhado, por minha filha não ter pai presente que mal dá pensão para pagar a escola. Só sei que não quero ser discriminada em festinha infantil por estar sozinha na mesa comendo bolinha de queijo, por isso sempre vou com um amigo gay e minha filha”, disse. Minha amiga, que não quer se identificar, e sempre ouve minhas críticas sobre esse comportamento, mas não se emenda, tem minha solidariedade, embora eu não concorde com seu medo pueril. Mas cada um têm os seu medos, né?

Já euzinha me sinto invariavelmente mais feliz tocando o barco sozinha do que 99 por cento das casadas que conheço cujos maridos não são companheiros na criação dos filhos e sim meros espectadores (vide festinhas onde o marido está invariavelmente sentado e as mães atrás dos filhos). Me divirto. E ouço muito, mas muito isso de minhas amigas casadas, que não veem muita diferença entre minha vida de mãe solteira e a delas...

Enfim, convidei algumas amigas mães e solteiras para fazer um exercício não muito fácil, que é o de dizer apenas uma das melhores coisas de ser mãe solteira e uma das piores. Eu também tive dificuldade, mas posso resumir em que o melhor é o companheirismo ímpar que vejo que tenho com minha filha nas decisões em que sempre a consulto, desde cedo, e só a ela, sobre escola, extras, falta de grana para isso e economizar para aquilo outro e decidir sobre programas que fazemos, adoro! O pior acho que é não ter a conta bancária da Xuxa ou da J Lo, duas mães solteiras milionárias hehehe

Vou colocar aqui na íntegra os pensamentos das amigas que toparam falar, com nome e sobrenome, das dores e delícias (mais delícias do que dores) de ser mãe que não mora com o pai de seu filho. Tem mãe solteira viúva, tem mãe solteira separada que o pai não dá pensão porque sumiu ou porque não quer assumir as responsabilidades normais de um pai, tem mãe solteira separada que o pai dá pensão (mas que raramente cobrem sequer a metade dos gastos dos filhos), tem enfim de todo tipo. Aí vão os testemunhos, que você, que é mãe solteira, vai se identificar num ou noutro, como eu.

Larissa Braga Veloso, jornalista, mãe da Corina

“A melhor parte é a autonomia na educação e unidade na autoridade.(exato!)

A pior parte é a carga excessiva de responsabilidades. É muito cansativo ter que me virar nos 30, dar conta de casa, comida, criança, trabalho, tudo sozinha. Mas a "melhor parte da pior parte" é que muitas mães são casadas e vivem EXATAMENTE essa situação, mas com um companheiro que também só demanda e não ajuda em nada. Então a melhor parte da pior parte é ter a consciência de que é assim e pronto, e não ficar esperando pela ajuda de quem só tá lá cumprindo tabela. (adorei essa resposta!)”

Santa Cris, estilista, mãe da mini diva

“A melhor parte é que me sinto orgulhosa pelos ensinamentos que passo pra ela... exemplo de doçura... carinho... afeto... o agradecimento... ela é uma criança musical... adoradora das artes e super criativa. E isso é o que ela aprende em casa. (adorei essa também!)

A pior é ser sempre cobrada. Como se a culpa fosse toda sua. Mesmo que você faça e dê o seu melhor para a sua filha. A cobrança existe. Por parte de toda uma família... da sociedade... das pessoas que te olham torto em vários lugares que eu frequento.. Mas tenho muito apoio de meu pai, avô de minha filha.”

Erika Folhadela, advogada, mãe do Leo

“O  melhor: o cordão umbilical segue virtualmente ligado entre nós.. Um laço de amor com nó de marinheiro. Amizade, companheirismo, confiança. Eu cuido dele e ele cuida de mim, na medida de seu tamanho e idade. O amor é tangível. De modo prático, imponho as regrinhas, faço escolhas e não sou questionada nem desautorizada por ninguém.

O lado ruim: eu digo que essa expressão é errada.. Não é ser solteira, é ser mãe sozinha, porque o pai tem a opção de não ser companheiro, mas de ser parceiro nessa jornada. Mas prefere ignorar. Então, se eu tenho uma reunião até mais tarde, como tive hj, o Léo falta o cursinho.. Tenho trabalho extra no sábado, ele vai junto. (Minha filha também vive comigo a tiracolo no trabalho hehehe)

 

Helen  Goncalves, médica, mãe de um rapaz crescido e companheiro

“Pra mim o melhor disso tudo foi o amadurecimento como pessoa. Sendo sozinha temos consciência que teremos que ser responsáveis por tudo pra garantir o bem estar e a felicidade de nossos filhos. Se uma mãe vale por mil , a solteira vale pelo menos 10000. De ser organizada e meticulosa pra não deixar faltar nada (aquele remedinho pra febre por termos certeza que de madrugada não teremos ninguém pra sair e comprar )  a no caso das mães de meninos ter que transitar pelo mundo masculino e ter que discutir se foi pênalti ou não.  (ADOREI)

Agora o pior mesmo é que vencidas tantas batalhas ainda escutamos coisas do tipo por que tu não casou de novo? Criança precisa de um pai ?? ou até “ah coitado cresceu sem um pai” . Enfim o tempo passa, mas lá no fundindo ainda existe o preconceito. “(E como existe, querida Helen, o povo não se conforma que a gente não queira casar de novo, só namorar hehehe)

Nazaré Ruiz, pedagoga, mãe do Alexandre, o Grande, e dois gêmeos sapecas

“A pior parte....Bem, às vezes tudo se torna tão "pesado" quando nos sentimos sozinha para resolver alguns problemas, às vezes sinto falta de também ser cuidada... como cuido deles. Mas, não deixo esses pensamentos perdurarem por muito tempo minha mente. Lembro de como sou abençoada por ter minha mãe, meu irmão, a minha cunhada Susete e meus sobrinhos para me lembrarem que não estou "tão sozinha" assim...Também ao iniciar namoro, tem homem que pensa que a gente quer pai para nossos filhos e não! (Vamos fazer uma camiseta para advertir que a gente quer namorar e não pai extra para nossos filhos hehehe)

O melhor de ser mãe solteira é que não tenho os estresses que um marido "padrão" causa rsrsrs Li em algumas pesquisas (em algum lugar que não lembro agora) que marido causa mais estresses do que filhos, então estou livre desse mal hehehe

O melhor, de verdade, é no sentindo da criação dos filhos que é unilateral, vejo que tem algumas vantagens sim, fui criada em parte só com mãe e em outra fase só com o pai, e em ambas, meu irmão e eu aprendemos ser mais parceiros deles, comparando na época que morávamos todos juntos. Espero que meus filhos e eu sejamos bem mais que mãe e filhos e filha, mas parceiros. Por conta da separação dos meus pais, meu irmão e eu nos tornamos mais parceiros também.” (É isso aí, parceria à toda prova!)

 


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