Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Os pais devem permitir que os filhos errem para que eles se tornem adultos corajosos

Por Mariane Cruz Eu sempre fui boa aluna. Aprendi a ler com facilidade e, desde então, passei a frequentar o ‘quadro de honra’ da escola todo bimestre. Lembro do meu pai comentando orgulhoso com os amigos sobre as minhas notas. Eu gostava de estudar e de saber que meu pai tinha orgulho de mim por isso. Nunca imaginei que o fato de querer agradá-lo pudesse me prejudicar no futuro, mesmo que inconscientemente.


01/11/2016 às 15:28

Por Mariane Cruz

Eu sempre fui boa aluna. Aprendi a ler com facilidade e, desde então, passei a frequentar o ‘quadro de honra’ da escola todo bimestre. Lembro do meu pai comentando orgulhoso com os amigos sobre as minhas notas. Eu gostava de estudar e de saber que meu pai tinha orgulho de mim por isso. Nunca imaginei que o fato de querer agradá-lo pudesse me prejudicar no futuro, mesmo que inconscientemente.

Embora tivesse boas notas, gostasse de estudar e tivesse passado no vestibular de primeira -  na minha época era vestibular e no ano que fiz a prova a concorrência era de 23 para cada vaga -, sempre me considerei insegura em outras relações.

Comecei a trabalhar ainda quando fazia faculdade e a insegurança também me acompanhava aí, o que me gerou baixa autoestima.

Em 2007, fui convidada para assumir a assessoria de comunicação de uma secretaria de governo e, embora já estivesse no mercado – já tinha passado por alguns estágios e algumas redações de jornal -, senti medo de aceitar o convite. Mas meu chefe me incentivou e eu acabei topando.

O medo de falhar, errar ou não dar conta sempre me perseguiu e, em 2009, comecei a sentir falta de ar e sensação de desmaio. Numa das vezes, cheguei a perder a consciência. Procurei neuro, cardio e nada foi encontrado. O cardio, então, me disse que poderia ser algo psicológico. Fui atrás de ajuda e, com a indicação de uma amiga, lá estava eu numa sessão de psicoterapia.

O autoconhecimento me fez descobrir de onde vinham alguns medos e um deles eu descobri que vinha da minha auto cobrança por não me dar o direito de errar por causa da minha infância e do medo de decepcionar meu pai.

Semana passada, ao ler esse texto (link: http://www.estudiodamente.com.br/2016/09/30/1071/), me vi ali. Portanto, pais, não façam só elogios ao seu filho, mas também deem força quando ele não conseguir, quando ele não for bem.

É preciso dizer que todo mundo tem o direito de errar. Com a terapia, eu percebi que posso errar e nem por isso serei menos aceita ou amada. Um beijo em todos.


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