Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

2019: o ano em que nos recusamos a dialogar

O que me chamou de verdade atenção, em todos esses meses do 2019 que vai se encerrando, foi a nossa incapacidade de estabelecer um diálogo cidadão.


24/11/2019 às 07:30

Penúltimo final de semana de novembro e 2019 está perto do fim. Na prática restam, a partir de hoje, 37 dias, incluindo todos os feriados e celebrações das últimas duas semanas de dezembro – tenha em mente que 24 e 31, as vésperas de Natal e Ano Novo, serão terças-feiras.

Considerando que o ritmo muda e que os assuntos da semana começam a perder importância diante do clima de ansiedade e festa que toma conta da gente, já está mais do que na hora de fazer aquele balanço do ano e o planejamento para 2020. Quais foram nossos ganhos e nossas perdas? E quais são os nossos desejos para os próximos 365 dias?

Inevitável que nas crônicas que me restam eu venha a fazer uma contabilização dos assuntos aqui pautados e que mais repercutiram entre os leitores. Entretanto o que me chamou de verdade atenção, em todos esses meses, e que acredito não retratei em momento algum, foi a nossa incapacidade de estabelecer um diálogo cidadão, enquanto sociedade.

Confirmando a tendência de 2018, estamos muito pouco dispostos a ouvir o outro. Temos tantas coisas engasgadas, acumulamos tantas insatisfações, frustrações, que já vamos para a conversa armados de certezas e pouquíssimo dispostos a refletir sobre a opinião ou sobre o ponto de vista do outro.

Em algum momento resolvi me distanciar de tudo para tentar entender as razões daqueles que se digladiam pela supremacia da esquerda ou da direita, a grande pauta nacional. Não valia e continuo acreditando que não vale a pena se colocar incondicionalmente ao lado e em favor de A ou de B. Vejo pessoas afirmarem e vociferarem valores de maneira agressiva e me pergunto: qual o fato gerador para que a pessoa assumisse aquela atitude?

E é complicado, olha. Não há, em verdade, na grande maioria da vezes, a menor condição de diálogo. Nega-se fatos históricos, evoca-se religião, justifica-se fatos injustificáveis... e muitas vezes de maneira contraditória, pois o que não pode para o outro lado pode para o meu! Como??? Sim, pode por que do meu lado o que é considerado errado para o outro foi praticado em nome de algo maior. Dá pra entender? Sinceramente, não.

Não bastou tudo aquilo que experimentamos no #VemPraRua2013. Parece que ainda vivemos os ecos das manifestações que fizemos em nome de um país melhor e que não foram bem digeridas pelo nosso coletivo. E as polícias de opinião de esquerda e de direita  agem para que quem tem opinião própria não participe. Elas desejam apenas a hegemonia e interessa calar a quem não pensa igual. Aí aqueles que não estão incondicionalmente ao lado de um ou de outro se cansam e se calam. Esse é o jogo e é intencional.

Num cenário em que tudo é demonizado, precisamos olhar ao nosso redor. A América do Sul tem mostrado qual vem a ser o resultado desses comportamentos! E que o fim ou a solução ainda estão longe! #Pensa

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