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A Bombordo?

Crônicas de Domingo - 09 de Dezembro de 2018 09/12/2018 às 00:00 - Atualizado em 09/12/2018 às 09:21
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Três navios atracaram no Porto de Manaus na última sexta-feira. O “Le Champlain”, o “Seven Seas Navigator” e o “Viking Seas” trouxeram a Manaus mais de 2 mil 500 visitantes, entre passageiros e tripulantes. Nada mau para tempos de tanto desemprego – Manaus e região metropolitana apresentam o maior índice de desocupação entre as capitais brasileiras. O turismo pode não ser uma alternativa que substitua integralmente o faturamento bilionário do Polo Industrial da ZFM, mas ele traz o benefício social do trabalho e a distribuição da riqueza na cadeia produtiva, coisas que não acontecem na indústria.

Os problemas para que a atividade prospere são as mazelas urbanas. Cidade ruim para o habitante é cidade ruim para o visitante. De cara, a situação do Porto, que vive uma briga judicial para decidir se o local é de empresas particulares ou do poder público. E nada se resolve.  Áreas portuárias passam por projetos de renovação e ganham novo sentido, seja em Nova Iorque, seja no Rio de Janeiro, seja em Belém. Em Manaus, não.

Depois de um desembarque repleto de deficiências estruturais, o turista que quiser sair a pé vai dar de cara com o Terminal de Ônibus da Matriz, uma forma de ocupação ruim para quem espera o coletivo e para o espaço urbano. Os usuários do sistema de transporte coletivo aguardam os veículos em baixo de sol e chuva (com aqueles DESabrigos), sem acesso a banheiros e expostos a assaltos, num lugar que adensa uma série de vícios e enfeia a cidade. Há uns nove anos vi um projeto de transferência da estação para um prédio coberto e repleto de serviços, ali próximo, dando uma condição cidadã aos passageiros, e liberando a Praça da Matriz para um novo uso.

Quase uma década depois, nada aconteceu. Algumas poucas intervenções urbanas não resolveram os desafios de um intervalo pequeno de cidade, fundamental ao turismo e aos moradores. Entre o Porto e a Praça do Congresso, onde reside o centro histórico, ainda há muitos problemas a se enfrentar para uma cidade que quer tratar bem a quem nela mora, ou a quem a visita. Se os ambulantes daquelas barracas de lona foram retirados em 2014 para a Copa, agora eles voltaram das mais diversas formas, inclusive em carrinhos de obra, vendendo frutas e verduras.

Aquele velho discurso de que “é melhor fazer isso do que roubar” não passa de falácia e não ajuda, nem a quem precisa de emprego, nem à cidade. Quer dizer que se não se fizer no espaço público o que se quiser, a solução é ser bandido? Então vamos tratar peixe na Eduardo Ribeiro e vender quinquilharias no meio da rua, a céu aberto, e deixar morrer qualquer sonho feliz de cidade – pois no caos não se põe ordem. Turismo? Bem, ou se toma uma atitude ou é melhor esquecer. #Pensa