Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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A Crônica

Crônicas de Domingo - 7 de Abril de 2019


06/04/2019 às 00:00

Um de meus cronistas favoritos, Xico Sá, fala que algumas crônicas “saem fáceis, (...)como uma polaroid” e que outras “são crônicas de britadeiras, saem na marra, à força, furando o asfalto para tirar uma florzinha de nada”. O dicionário define crônica como “gênero literário que consiste na apreciação pessoal dos fatos da vida cotidiana”. Da minha experiência, elas nascem da expectativa do que está por vir, ou da lembrança de um fato que nos volta à memória, seja por revolta ou satisfação! Elas brotam da esperança do novo amor, ou da conciliação com o antigo; do novo trabalho, ou da realização no velho; de uma grande indignação, ou do reconhecimento de uma conquista. Crônicas querem mudar o mundo ou perpetuar momentos. Elas têm como principal matéria-prima a esperança! A esperança que faz bater mais forte o coração!

E a verdade, meus caros leitores, é que esses dias são de desesperança, de constatação de impotência! A proposta é escrever crônicas sobre Manaus. Eu bem que poderia, como um amante infiel e dissimulado, enganar vocês! Escolher um “causo” ou um dos prédios da cidade e, nostálgico, repleto de figuras de linguagem, falar dos tempos áureos e ruidosos da belle époque! Seria fácil, se não fosse uma mentira. A pauta para essas crônicas é a cidade e o tempo presente. Presente do indicativo que só aponta para a desesperança! Os prédios restam vazios, esquecidos, estão ruindo...

Minha missão começou em 8 de fevereiro de 2011! Anos em que reclamei de quase tudo. Da falta de saídas para uma Manaus que se considera a sétima cidade mais rica do país. E não há nada de novo para pleitear, somente os velhos novos problemas! Apenas constato que a cidade está no usufruto e na posse da desesperança e da ausência de horizontes. Andamos protestando contra os buracos, a baixa cobertura do esgotamento sanitário, a pouca arborização, as calçadas, os prédios abandonados, o transporte coletivo deficitário, o trânsito, a carência de cuidados em geral, o desemprego e a necessidade de alternativas econômicas. E fazemos isso há quantos anos?

Meus caros, hoje nem a britadeira foi capaz de furar o asfalto para arrancar uma crônica. A impressão é que me repito em vão. E que nada acontece. Rogo a vocês o perdão e a misericórdia. E como na canção, peço socorro! Alguém me empreste um coração repleto de esperanças? Porque esse “já não bate e nem apanha”. #Pensa

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