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A Cura

Artigos de Domingo - 11 de setembro de 2016


10/09/2016 às 00:00

Há 19 anos descobri um problema crônico de saúde que poderia vir a comprometer em muito minha qualidade de vida! O que era uma dor menosprezada que eu acreditava ser ciático me deixou sem andar. Diagnóstico: uma hérnia de disco e um grave comprometimento de todas as vértebras da coluna – eu possuía calcificação excessiva em todas elas. Da primeira cervical à última lombar, eu sofria de artrose, o famoso bico de papagaio. Ossos que deveriam ter menos de um centímetro possuíam dois centímetros e meio. Eu estava acima do peso, sedentário, trabalhando 12 horas por dia. Para voltar a andar, e voltei totalmente torto, precisei de muita medicação, fisioterapia e uma dieta séria para emagrecimento. Depois do susto, de volta a Manaus e à minha rotina normal, cheguei a ser desenganado por um famoso ortopedista local: “mais cinco anos e você terá sérios problemas para andar, o comprometimento é grande, acostume-se à ideia”. Aos 31 anos de idade, aquela parecia ser uma sentença de morte. Tanto assim que parei de ir ao médico, até a dor se tornar tão intensa e insuportável que me  fez buscar uma segunda opinião.

Nesses quase 20 anos, comecei a frequentar a academia, por indicação do segundo especialista local que me atendeu. Hoje, tenho orgulho de desfrutar de uma saúde invejável e de uma qualidade de vida nada comum na faixa etária em que me encontro. O tempo, a experiência e a dor me mostraram saídas. Eventualmente, muito eventualmente, tenho dores, que já trato de maneira alternativa à tradicional consulta médica e remédios anti-inflamatórios. Passei a frequentar um quiropata (formado, não um prático) e fisioterapeutas, para sessões de RPG, soluções eficazes em muitos problemas. Mas tudo isso me faz pensar: quantas pessoas têm acesso a esse tipo de serviços? Quantas podem pagar por eles? Quantas sequer podem frequentar um consultório médico especializado? A falta de alternativas acaba trazendo às suas vidas limitações que necessariamente não aconteceriam, problemas de solução razoavelmente fácil, mas que a falta de tratamento agrava ao extremo.

Em plena campanha eleitoral para prefeito e vereadores, a saúde não é alvo de muitas propostas. E a responsabilidade sobre a saúde básica é do município. A quase totalidade de menções ao tema se limita às unidades básicas de saúde ou às “casinhas” da saúde. Tem candidato propondo “melhorar o que já existe”. Na verdade falar de saúde em termos municipais abre para outros temas, como o abastecimento de água potável e o saneamento básico. Apenas 10% da cidade possui sistema de esgotamento de águas servidas.

Algumas soluções haverão de ser a longo, longuíssimo prazo. E incomodarão muita gente. Mas é necessário começar. Outras estão à mão. Como um centro de verificação de óbitos, que Manaus ainda não tem. Em resumo, “um serviço de avaliação da causa da morte desconhecida ou duvidosa, com o objetivo de fornecer elucidação diagnóstica e informações complementares para o serviço de epidemiologia e políticas de saúde pública em geral”. As pessoas morrem na cidade e não sabemos porque. E os investimentos na área de saúde são feitos às cegas, sem considerar esses dados. Morreu de falência múltipla de órgãos – ok, mas o que causou o problema? O centro é uma forma de tornar mais eficaz o recurso empregado e diminuir o desperdício. Mas tem candidato que acha que o pulo do gato é “melhorar o que já existe”. Saúde é coisa séria. Assim como ser prefeito ou vereador. Não dá pra improvisar no achismo! #Pensa

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