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A Escolha dos Viajantes

Artigo de Domingo, 16 de Outubro de 2016 15/10/2016 às 00:00 - Atualizado em 15/10/2016 às 16:42
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Turismo urbano em Manaus é muito pouco focado!

No ano da realização da Copa do Mundo no Brasil, com uma das subsedes aqui, o site TripAdvisor, que numa tradução literal significa “conselheiro de viagem”, concedeu a Manaus o prêmio “Travellers Choice” de escolhê-la com a nona posição dos destinos em ascensão no mundo. Manaus havia sido uma surpresa na Copa, agradando a grande parte dos visitantes que vieram para os jogos na Arena da Amazônia. Em 2014, durante o evento, realmente o clima parecia mágico.

No ano seguinte, o “Travellers Choice” – “a escolha dos viajantes” – teve mais uma edição, mas Manaus não aparecia. A melhor cidade posicionada do Brasil era Foz do Iguaçu, em 10º lugar. Nas indicações de 2016, voltadas para 2017, nenhuma cidade brasileira configura na lista dos 25 destinos em ascensão. Já se passaram três anos, as Olimpíadas aconteceram e não trouxeram o público esperado. Entretanto, as propagandas da campanha política deste ano ainda ostentam, em destaque, que somos o nono destino mais cobiçado do mundo.

Sim, estamos atrasados, vivemos de passado, num título que já foi e não é mais! A atividade turística é, sem sombra de dúvidas, uma alternativa à diversificação da nossa matriz econômica. E melhor ainda, uma alternativa com forte poder distributivo de renda e riqueza. Mas vivemos de discursos e de títulos velhos!

Manaus tem desafios enormes a enfrentar como destino turístico – especialmente porque há a alternativa, sempre mais atrativa, do turismo de selva, que tira o passageiro da cidade e o impede de nela viver suas experiências e, consequentemente, de gastar. Turistas de pesca esportiva e turistas de natureza normalmente passam uma noite em Manaus, se passam.

Temos potencial sim! As viagens de dia inteiro – as cachoeiras de Figueiredo, por exemplo; os programas de esportes radicais e similares, como rapel e arvorismo... Estamos repletos de alternativas a transformar Manaus em um destino turístico urbano bastante significativo. O problema é que sempre paramos no estágio de “potencial” e essa potência nunca vai ao ato.

Basta ver o descontrole das atividades praticadas com os turistas. Hoje em dia qualquer um oferece excursões, passeios de barco, pega turistas em hotéis, colocando os visitantes em risco. Os hotéis estão repletos de gente que não sai de seus saguões, oferecendo todo tipo de pacote, só não se sabe em que condições. De gente que usa carro particular para transportar esses turistas, em carros onde cabem cinco mas são oito os acomodados. Os camelôs saíram das calçadas, mas agora eles estão nos hotéis, oferecendo “trips“.

O acidente com o turista coreano que perdeu a perna, ano passado, foi bastante emblemático em relação a esta triste realidade. Quem pilotava a embarcação? Que agência havia vendido o pacote? Quem era o guia? A agência tinha seguro para o passageiro? Boa parte das perguntas ficam no ar, sem respostas, porque foi uma venda de “camelotagem”. Vivemos tristes dias no turismo receptivo de Manaus, onde os empresários sérios e responsáveis concorrem com o dumping da informalidade – por oferecerem qualquer coisa, o preço pode ser infinitamente menor. Coitados dos informais, né? Eles só querem trabalhar. Mas esse trabalho tira empregos, tira vidas e detona o destino.

Como Turismo é coisa séria, creio que as campanhas políticas devessem tratar melhor a questão, sem dissimular com títulos passados. Vale a pena lembrar a máxima “a cidade boa para o turista é a cidade boa para o seu morador”. Esse é um conceito que deve servir bastante à nossa reflexão! #Pensa