Domingo, 18 de Abril de 2021

A Matemática do (Des)Balanço


06/02/2021 às 08:15

Iniciei a semana a procura de dados que pudessem dar uma ideia do que se passou conosco em janeiro. O boletim epidemiológico da FVS de 31 de dezembro registrou 201 mil 013 casos de Covid-19 no Amazonas em todo o ano de 2020 e 5 mil 285 mortes pela doença. Àquela altura falávamos ainda em fim da pandemia, de possível imunidade de rebanho, reagimos às medidas de restrição impostas pelo Governo Estadual, fomos às ruas protestar e queimar pneus para que não se decretasse restrições e para “provar que quem manda é o povo”. As medidas de maior isolamento só foram possíveis devido a uma ordem judicial.

Domingo último, dia 31 de janeiro de 2021, o mesmo boletim trouxe 267 mil 394 infecções pelo novo coronavírus e 8 mil 117 óbitos em todo o Estado. Comparando os dois boletins, o de 31 de dezembro com o de 31 de janeiro, uma conta simples de subtrair permite dizer que tivemos 66 mil 381 novos casos e 2 mil 832 mortes por covid-19, oficialmente, em apenas um mês. Foram aproximadamente 2 mil 141 novos registros e mais de 91 mortes por dia.

Os percentuais, obtidos também de uma regra de três simples, são assustadores: Janeiro de 2021 representa 33% de todos os casos ocorridos em dez meses, de março a dezembro de 2020. As baixas na população do mês pela doença respondem por 53,6% de todo o acumulado do ano anterior. A continuar nesse ritmo, até março de 2021 empataremos em número de casos com 2020 e já em fevereiro superaremos o número de mortes. Note-se que a proporção de mortes cresceu mais que a de contágio.

Um outro número me chamou atenção e me deixa ainda mais assustado. Em Manaus, não no Amazonas, a média de enterros diários nos cemitérios da cidade antes da pandemia era de 30 cadáveres, totalizando 930 ao final do mês. No último janeiro, a média de sepultamentos foi de 150 por dia, 4 mil 650 óbitos no mês. Se abatêssemos desse total o número normal (930) e todos os mortos por covid no mês no Estado (2 mil 832), ainda nos restariam 888 falecidos para explicar a origem: Subnotificação?; Mortes por outras doenças mal atendidas devido ao colapso dos sistemas de saúde público e privado?; Ou uma mistura das duas hipóteses?

A situação é trágica. Mas há quem acredite que a saúde financeira seja mais importante que a saúde física, e brade aos quatro cantos que é preciso aprender a conviver com o vírus e que as medidas de restrição vão matar mais de fome do que a própria doença. E eu me pergunto: em que lugar do mundo eles encontraram essa fórmula mágica? Porque Europa e Estados Unidos, que vivem situações dramáticas em relação à doença, decretaram medidas restritivas bastante severas, bem mais que as nossas. Em que lugar do mundo está se aprendendo a conviver com a doença e vivendo uma normalidade relativa na Economia? Pelo que vi, isso é fantasia. Porque sempre tem a turma do “quanto pior, melhor”. Eles agitam para que a instabilidade lhes crie oportunidades e atendam aos seus interesses. E não importa se o preço é pago com vidas.

Esses mesmos grupos inundaram as redes sociais com a notícia de que um idoso que recebeu a primeira dose da AstraZeneca morreu aqui em Manaus. Querem sugerir que a vacina mata? Não temos outra esperança que não a vacinação. Deveríamos sim pleitear, fazer um movimento único, para que o Amazonas tenha tratamento diferenciado e seja dada uma preferência à imunização ao Estado, até mesmo em nome da saúde nacional. Isso é URGENTE.

Nesse momento precisamos ter muito discernimento e não nos deixar levar por essa turma do “quanto pior, melhor”, porque eles jogam no caos, na confusão e na desinformação, para alcançar seus objetivos, todos relacionados a ganho de poder, mesmo que a conquista deles seja pavimentada pela morte dos nossos cidadãos. Não é a hora de apostar no caos. Ele só traria um número muito maior de mortes. Agora fica aquela pergunta martelando: se tivéssemos fechado logo após o Natal, ou até um pouco antes, não teríamos evitado um número tão absurdo de mortes? #Pensa


Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.