Segunda-feira, 06 de Julho de 2020

Altos e baixos

Estamos lidando com uma doença nova e perigosíssima. A ignorância não é a ferramenta adequada a se tratar dessas questões.


23/05/2020 às 20:30

Começamos a semana com uma chama de esperança. No último domingo, dia 17, circularam pelas redes sociais postagens com fotos das salas rosas da Fundação Cecon, do 28 de Agosto, do João Lúcio e de alguns SPAs dando conta de que, após muita turbulência desde o início da pandemia de convid-19, elas estavam com poucos casos graves e com menor número ou nenhum óbito. A sala rosa é o setor das unidades de saúde destinado a pacientes suspeitos ou confirmados da doença. Houve quem afirmasse que a sala rosa era a sala da morte, tal era a situação de caos. Mas no domingo, as notícias eram boas e alentadoras.

Logo, começamos a especular, publicamente, o possível decréscimo do número de casos, o início de uma curva descendente, a saída do sistema público de saúde da superlotação... Na segunda, o boletim epidemiológico renovava as esperanças: registrava apenas 585 novos casos. Houve até notícias da redução do número de sepultamentos nos cemitérios de Manaus. Parece que era o início do fim de tudo, o primeiro passo ao retorno à normalidade cotidiana.

Mas não tardou para que nossa animação recebesse um jato de água fria. A situação parece estar mais sob controle que antes, já os números de contágio não: 1 mil 219 na terça, 1 mil 572 na quarta, 1 mil 663 na quinta e 1 mil 671 na sexta. De segunda a sexta-feira, 6 mil 710 novos casos. O Brasil já é o terceiro país com o maior número de casos do novo coronavírus no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Rússia. Aqui, 30,2% dos mortos por covid-19 são menores de 60 anos, enquanto que na Itália esse número é de 14,4%.

Lembrei quando os opositores do isolamento social e defensores da economia diziam que aqui o vírus não causaria o mesmo estrago que causou na Europa e que não havia razão para tanto exagero; que uma economia decadente sim poderia ser muito pior. Afirmaram categoricamente que as mortes por Covid-19 ficariam abaixo das 796 por H1N1 em 2019. Mas o tempo rapidamente os desmentiu. Chegaram a dizer, muitas vezes, a vociferar nas redes sociais, que o calor dos trópicos diminuiria a velocidade ou até impediria o contágio, com a autoridade de “cientistas”. Depois ouvimos que a população da Itália era muito velha e por isso aquela tragédia toda, mas aqui o percentual de mortes de pessoas entre 20 e 59 anos é o dobro do percentual italiano. E agora, entrando no terceiro ministro da saúde em dois meses, o que mais haverão de inventar?

Estamos lidando com uma doença nova e perigosíssima. Muitas coisas estão sendo descobertas, como a ação do vírus sobre a coagulação sanguínea, o que talvez a caracterize como uma doença de sangue e não respiratória. A União Europeia já admite a possibilidade de uma segunda onda de surto do novo coronavírus, só não sabe precisar quando e em qual tamanho. Tudo é muito novo. A ignorância não é a ferramenta adequada a se tratar dessas questões. Pense duas vezes antes de falar ou de agir! Procure se informar, mas não pela sua conveniência! Com a ignorância, ninguém tem a ganhar, a não ser os porta-vozes da morte e do ódio! #Pensa


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