Terça-feira, 21 de Maio de 2019

Amoroso

Crônicas de Domingo - 5 de Maio de 2019


04/05/2019 às 00:00

Durante a semana que passou me veio à mente uma declaração de Alceu Amoroso Lima que li há muito tempo: “não tenho nada contra os militares, mas sim contra o militarismo”. Intelectual de muitas facetas, notadamente marcado pelo pensamento católico – e por isso considerado conservador, Alceu faleceu em 1983. Talvez com o desprestígio da filosofia e das ciências sociais no país, as gerações futuras sequer venham a saber quem foi, mas sua expressão para a cultura brasileira é tanta que chegou a ser cogitado para receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1965.

O domínio impecável da língua portuguesa e das relações sociais o fizeram, numa pequena afirmativa, demonstrar o perigo do sufixo “ismo”, quando empregado para significar uma ideologia ou uma doença. Militares são cidadãos, obedecem, no exercício da profissão, aos princípios da hierarquia e da disciplina, que pautam as forças armadas. Não há nada de errado nisso! Mas encarar a sociedade civil com militarismo talvez seja uma antítese de significados muito distintos: civil e militar!

São muitos os perigos do “ismo”: fascismo, nazismo, sexismo, satanismo, revanchismo, racismo, totalitarismo, autoritarismo... raras vezes encontraremos significados tão socialmente benéficos como o contido em pacifismo! Creio que a frase de Amoroso ressurgiu muito por conta dos recentes episódios na Venezuela. Maduro, para se manter no poder, conta com o apoio de mais de 2 mil generais – uma quantidade absurda para um país em que a população passa fome.

Na minha opinião, nada justifica o que Maduro vem fazendo à Venezuela. Não há defesa de fins que justifiquem esses meios. Quinhentos mil imigrantes só para a Colômbia! Desde os primórdios do poder “Chavista” já era possível claramente identificar caraterísticas de ditaduras, ou de tentativas de, sejam elas de esquerda ou de direita, se é que esses rótulos cabem a quem governa em causa própria.

Demonização da mídia, tentativa de estatização dos meios de comunicação, censura. Discursos altamente nacionalistas e ufanistas, elaboração de teorias conspiratórias para justificar exceções à democracia. Controle das universidades, do Legislativo e do Judiciário, sufocamento da oposição. Uso de uma suposta “rigidez moral” e até de recursos religiosos ou esotéricos... itens obrigatórios nas estratégias de projetos de governos ditatoriais, bem ou mal sucedidos em seus intentos. De Hitler a Putin, de Fidel a Maduro!

O Governo Brasileiro até agora tem se posicionado de maneira correta em relação à Venezuela, descartando qualquer intervenção militar naquele país, lamentando pela ausência de democracia e condenando os ataques a manifestações populares, como o avanço daquele blindado das forças bolivarianas sobre os manifestantes civis em Caracas. Um comportamento até aqui diplomaticamente irretocável. Mas fico me perguntando: se revivêssemos novamente as manifestações brasileiras do #VemPraRua, de 2013, quando milhões de pessoas foram às ruas, expressar seus descontentamentos? Qual seria a estratégia do Governo para com o seu povo? A mesma reivindicada à Venezuela? #Pensa


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