Domingo, 25 de Agosto de 2019

Born and Made in Bareland

Somos incapazes, somos preguiçosos ou somos imediatistas? Texto sobre a dificuldade enorme que temos para valorizar aquilo que é nosso e os desajustes ainda maiores para nos apropriarmos dessas nossas coisas


10/08/2019 às 16:00

O açaí do Amazonas, da espécie Euterpe precatoria, é considerado uma das superfrutas mais importantes do mundo. Ele é dotado de uma concentração de 80% a mais em taxas de antioxidantes, substâncias que retardam o envelhecimento das células. As antocianinas, as tais substâncias antioxidantes, conferem aquela coloração mais roxa! Por conta disso até o Pará, que tem outras espécies de açaí menos favorecidas que a nossa, está comprando o açaí amazonense e misturando ao deles, para deixar a safra mais escura.

A informação é da pesquisa da tese de doutorado da cientista Claudia Blair Matos, que é PhD em Biodiversidade e Biotecnologia. Mas o Brasil inteiro continua associando o açaí ao Pará. Não consegui identificar nenhum esforço institucional, empresarial e coletivo para estabelecer no imaginário popular uma associação entre qualidade do produto e o nosso fruto! Nas últimas semanas tenho refletido sobre as dificuldades enormes que temos para valorizar aquilo que é nosso e os desajustes ainda maiores para nos apropriarmos dessas coisas que são nossas.

Açaí, conhecido no mundo inteiro; guaraná também, associado à energia e à longevidade; tambaqui (de viveiro) no cardápio de grandes restaurantes do país; cupuaçu e fisalis como novos sabores da gastronomia internacional; entre tantas outras coisas. E pergunto: o que estamos, e quanto estamos, ganhando com isso? A verdade é que não conseguimos fazer negócios com as nossas coisas! Por que será? Aí vem alguém, patenteia, leva uma muda, produz fora, e a gente? Fica a ver navios e a queimar lenha para obter energia!

Basta lembrar da Hevea brasiliensis, a seringueira! Alguém recorda do episódio? Nenhum amazonense, nascido, criado ou adotado, mesmo que a contragosto, tem o direito a ter faltado a essa aula de história! É uma lição para se aprender, debater, elaborar teses de pós doutorado e livre docência e colocar no conteúdo da pré escola.  E o Leite de Colônia? Sim, criado aqui, e mudado para o Rio, com todas as suas desinências florais, a exemplo do Leite de Rosas!

Enquanto nos ocupamos exclusivamente de manter a ZFM (e ela precisa ser mantida), perdemos espaço para que a mineração, a garimpagem e o nada pop agronegócio avancem sobre nossa floresta, destruindo todas as verdadeiras riquezas que temos! E de onde temos ainda a descobrir muita coisa! Só não entendo o porquê! Somos incapazes, somos preguiçosos ou somos imediatistas? Ou realmente somos ignorantes sobre o valor das nossas riquezas? #Pensa


Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.